Os três desafios do renascimento da Chapecoense - Esporte - O Sol Diário

Um mês depois29/12/2016 | 05h04Atualizada em 29/12/2016 | 15h09

Os três desafios do renascimento da Chapecoense

Clube catarinense tenta se reestruturar após tragédia

Os três desafios do renascimento da Chapecoense Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Um mês depois do sonho de um título internacional ter se transformado no pesadelo de uma tragédia sem precedente no futebol brasileiro, a Chapecoense dá passos firmes em direção à reconstrução. Em 28 dias, dará início, na Arena Condá, à temporada mais emblemática dos seus 43 anos, envolta no paradoxo de disputar oito competições, de Catarinense a Libertadores, e construir um time competitivo quase do zero. A seguir, ZH mostra como o clube se reergueu nestes 30 dias desde a queda do avião e quais são os três desafios da Chape para recomeçar sem perder a essência que a projetou, em sete anos, da Série D a uma final continental.

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Gestão
Retomada alicerçada em três pilares

No campo, um salto da Série D à Série A em cinco anos. Nos gabinetes, um mantra: planejar e não gastar mais do que se tem. No vestiário, teto salarial de R$ 100 mil, com pagamento em dia e, neste ano, um inédito 14º salário. A gestão mostra que a ascensão da Chape não foi por acaso.

Mas a queda do avião abalou pilares desta solidez. Dos 15 integrantes da diretoria administrativa, sete morreram. Três dos seis membros do conselho deliberativo e consultivo perderam a vida. Coube ao mecenas Plínio David de Nes Filho, novo presidente, a missão de liderar o clube neste recomeço.

– Estamos agindo com equilíbrio e se adaptando à nova realidade. O baque foi forte, mas é hora de trabalhar em homenagem aos que se foram – diz Plínio, que pretende mesclar nomes da casa, como o vice Ivan Tozzo, que assumiu a presidência interina após o acidente, com experientes vindos de fora.

Entre os ¿forasteiros¿, está o diretor-executivo Rui Costa, que ressalta o espírito de união no clube:

– Todos estão olhando para o mesmo lado, sem vaidade. É um grande presságio.

Plínio conta que a reconstrução parte de três pilares. O primeiro é a família, com ênfase no apoio às vítimas e à torcida. O segundo é a reconstrução do futebol, e o terceiro, a estabilidade financeira. Com isso, projeta conciliar a expectativa de retomada com a dificuldade de ter resultado em curto prazo:

– Internamente, vamos nos preparar e qualificar com base nos modelos da Fifa. Reestruturaremos o marketing a partir de janeiro, buscando ampliar ao máximo o quatro de sócios e internacionalizar definitivamente a marca Chapecoense – ressalta.

Finanças
Forte impacto, mas cenário favorável

O vermelho passa longe dos balanços financeiros da Chape. No ano passado, o clube teve superávit de R$ 2,832 milhões – 223% maior em relação ao de 2014. Só a receita operacional líquida cresceu 34,4%, alcançando R$ 46,47 milhões.

Após o acidente, os gestos de solidariedade deram a impressão de que dinheiro não seria problema. Afinal, o orçamento para o ano, previsto em R$ 48 milhões, subiu para quase R$ 60 milhões e deve ser mantido em 2017. Mas há o outro lado da moeda.

Além das rescisões contratuais com as vítimas e das despesas extras decorrentes do acidente, o clube teve de mudar os planos: em vez de repor quatro jogadores, contratar mais de 20.

– O impacto foi muito forte nas finanças. Estamos trabalhando arduamente para nos reestruturarmos de forma equilibrada, respeitando o nosso padrão de não gastar mais do que se tem – pondera Plínio David de Nes Filho.

O presidente não revela números, mas a perspectiva é boa. Só em premiações, a Chape receberá R$ 16,4 milhões pelo título da Sul-Americana e participações na Libertadores e na Recopa. Em patrocínios, a Aurora mantém o vínculo e a Caixa renovou – o valor não foi divulgado, mas deve ser superior aos

R$ 4 milhões investidos em 2016.

Outras ajudas têm sido importantes, como a doação de R$ 5 milhões da CBF, esperada para janeiro, e R$ 900 mil que o Barcelona repassará pela disputa do Troféu Joan Gamper em agosto. O clube ainda projeta ampliar a receita com sócios – o número cresceu de 8,5 mil para 26.160 – e venda de camisetas – só a parceria com uma loja virtual garantiu R$ 1 milhão. A cedência de uma ambulância ainda garantirá a economia de R$ 120 mil em aluguel.

– Estamos trabalhando no orçamento buscando verificar as necessidades. Não passaremos do limite – garante Plínio.

Elenco
Garimpo, parcerias e visibilidade como trunfo

O acidente matou 19 dos 30 jogadores. Dos 11 remanescentes, só seis devem ficar – o mais conhecido é o meia Martinuccio. Com a meta de 25 atletas no grupo, o executivo Rui Costa projeta reaproveitar até nove jogadores do sub-20 e trazer de oito a 10 reforços.

– Hoje já temos time para treinar, entrar em campo e jogar – afirma.

O garimpo começou com 90 nomes, dos quais restaram 30. O técnico Vagner Mancini quer atletas que mesclem força e velocidade. A ideia é ter 99% do elenco até 10 de janeiro. Quanto aos sobreviventes, o zagueiro Neto e o lateral Alan Ruschel ficarão, e a direção oferecerá um cargo ao goleiro Follmann, que teve parte da perna direita amputada.

– Os contratos serão refeitos – garante o presidente Plínio David de Nes Filho.

Rui não revela nomes, mas diz que há vários jogadores ¿apalavrados¿ e alguns que vão ¿surpreender¿. O lateral-direito Emilio Zeballos (Defensor-URU), o lateral-esquerdo Reinaldo (São Paulo) e o atacante Niltinho (Criciúma) já estariam acertados, faltando só o anúncio oficial. O atacante Wellington Paulista (Fluminense) e o meia Daniel (São Paulo) estariam entre os sondados.

– Pretendemos manter o DNA do clube, mas vamos ter um fluxo de jogadores chegando por um bom tempo – diz Rui, frisando que os empréstimos com salário dividido são interessantes.

Ele observa que a visibilidade é outro trunfo e cita a Libertadores, a Recopa e o Troféu Joan Gamper, com o Barcelona:

– Imagina o que representa para um jovem jogador enfrentar o Messi?

A reapresentação deve ser em 6 de janeiro. Prevista para fevereiro, a Recopa deve ser adiada para abril – a mudança é negociada com a Conmebol. O time jogará pelo menos 70 partidas – pode passar de 90 se for às finais. A estreia será em 25 de janeiro, contra o Joinville, na Arena Condá, pela Primeira Liga.

– O Mancini precisará de tempo para dar uma cara ao time. Será um ano de transição e paciência – afirma Rui Costa.

*ZHESPORTES

 

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