Quem eram os três manezinhos no voo da Chapecoense - Esporte - O Sol Diário

Ponto de vista03/12/2016 | 22h33Atualizada em 03/12/2016 | 22h49

Quem eram os três manezinhos no voo da Chapecoense

Rodrigo Stüpp e Maellen Muniz são jornalistas e já foram colegas de trabalho de André Podiacki, Djalma Araújo Neto e Bruno Mauri da Silva, vítimas do acidente com avião da Chapecoense. Este texto foi originalmente publicado Blog do Seo Vení, voltado para conteúdo manezinho

Rodrigo Stüpp e Maellen Muniz

Tá todo mundo desossado, acachapado com essa tragédia com o voo da Chapecoense. Foram 71 vidas interrompidas. Três delas de manezinhos quiridus. Dois, manés de Floripa. O terceiro, de Palhoça — mas era só pegar uma batêra que em dôsh toque já tava ali pelo Ribeirão. Neste post, a gente faz uma homenagem ao André Podiacki, ao Bruno Mauri e ao Djalma Araújo, todos profissionais da imprensa e que perderam a vida indo realizar mais um de seus sonhos. Força pras famílias e pros amigos!

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

André Podiacki

André Podiacki, 26 anos, era o Podí pros amigos. E olha, o Podi tinha um mundaréu de amigos. Não tem quem não goste do filho da dona Nêga e do seu Túlio. Sabe aquele cara que ninguém consegue brigar, ficar brabo com ele? Tava faceiro, faceiro com a primeira viagem internacional da carreira e da vida.

Tão, então¿ Guri bom, jornalista, alvinegro, mas se tu visse a alegria dele ao cobrir ao Avaí tu não te acreditavas. E tu sabes por quê? Porque o Podi adorava esporte. Era guri novo e tinha uns hábitos até de gente másh velha: até dijaôji, reservava a revista Placar na banca pra ir buscar.

Nasceu e cresceu ali no Balneário. Era um tripeiro de nascença, não tem? Nos finais de semana, de vez em quando levava dona Nêga pra tomar um sorvetinho de buffet ou o seu Túlio pra comer uma carninha na Riosulense.

Um monxtro pra trabalhar

No trabalho, era um quiridu, fazia trocentas coisas ao mesmo tempo. A raça até dizia que ia sair fumaça do teclado dele. Agora, tu tinhas que ver na hora de quebrar o galho pra galera: quiridu, era um itinerário pra ajudar e levar a raça em casa que cruzar o Rio Vermelho até a Caieira era fichinha. O possante do Podi sempre tinha Dazaranha na playlist.

Nos churrascos, o Podi não bebia. Ficava só inticando os amigos gaúnchos que ficavam na churrasqueira. E se tu visse as risadas e as piadas dele com os estimados que tinham tomado trêsh gole de maracujá, tu ias dizer: medêsh, como pode? Aquela era a alegria de viver do Podiacki mesmo.

Foto: Arquivo pessoal

Djalma Araújo Neto

Tásh ligado uma coisa que acontece que quase ninguém nota, mas aí um estimado vai lá e percebe? Esse é o Djalma, que achava aquelas crianças fofas, uns cara figura no meio de 200 pessoas na arquibancada e fazia o close. E daí dava altas história na TV, daquelas histórias que o cara para tudo pra assistir, tásh ligado? Como diz o elogio do momento, o Djalma era top. Não era à toa que fez um mundaréu de cobertura massa, de jogos do campeonato catarinense, do Brasileirão, chegou a ir pro Pan do Rio em 2007.

O Deja — como os mais chegados chamavam — era avaiano, másh conseguia capturar a emoção nos dois lados da ponte. Era um cara alto astral, tava sempre animado, colocando a raça pra cima. Se via um amigo sem sorrir, já vinha dar um abraço, soltar uma piadinha pro estimado rir.

E não parava nunca esse guri! Nos 13 anos de firma, ensinou muita gente dentro e fora da redação. Quando pegava a câmera, môquiridu, estufava o peito e só dava tiro certo. Se não tava numa transmissão pela RBS, quase certo que tava pelo SporTV. Ainda dava um jeito de fazer os trabalhos da produtora que tinha e curtir umas festinhas.

Paizão orgulhoso

O Djalma tava com 35 anos e era doido pelos dôsh filhos: a Duda, de 12 anos, e o Vini, de 5. Rapásh, volta e meia o Deja vinha se orgulhar de alguma coisa que os filhos tinham feito, mostrava foto, falava todo bobo. Era empenhado, queria que a Duda e o Vini tivessem o mundo, se importava com a família.

Nos últimos tempos, andava mais felizão que o normal. O motivo tinha até CPF: a Kênia. Tava todo abobado porque tinha encontrado uma mulher 100%, como ele mesmo contou pros amigos quando a raça inticou o "relacionamento sério" no Facebook.  

Foto: Arquivo pessoal

Bruno Mauri da Silva

Nem vem com essa de que manezinho é só da Ilha. O Bruno tinha altos sotaque manezês da Palhoça, onde nasceu, se criou e morava até dijaôji. Quando falava, era quase certo que ia botar um "não tem?" no fim da frase. O guri era novinho, 25 anos, mas ô, sh, ei, sabia coisarada pra fazer as transmissões de TV quando tinha coisa fora do estúdio — como os jogos de futebol, por exemplo.

Nos 4 anos de RBS TV, deixou a marca do seu sorrisão. Rapázi, como é que pode um guri pequenininho ter um sorriso tão grandão? Deve ser porque o Bruninho, como a raça chamava ele, era um cara que transbordava alegria. Não tinha tempo ruim, não tinha problema, sempre tinha solução.

E que coração bom tinha aquele guri. Oferecia ajuda pra tudo e se não tinha a resposta na hora, logo dizia: "Vou ver pra ti". Ele aprendeu em casa a ser guri bom. Era muito família. Era do pai Mauri e da mãe Adriana. Era do futebolzinho com os amigos. E também era da Duda. Rapázi, dava de gosto de ver o olhinho dele brilhando quando falava da "morena".

Dedicado

Bruninho era miudinho, mas era rápido. Se formou técnico em Telecomunicações e volta e meia ficava fazendo análises sobre as ondas eletromagnéticas das transmissões da TV. Na hora que o bicho pegava, muitas vezes com o mundaréu de entradas ao vivo no Bom Dia SC, ele mantinha a calma e dava jeito de colocar o melhor sinal no ar.

Depois de um tempo na Central Técnica da RBS TV, o Bruninho foi pro setor de externas. E aí, môquirido, virou meio que um mascote dos colegas da área, que são tudo macaco velho em transmissão. Mas o Bruninho sempre acompanhou a raça, grudava nos caras pra aprender mais, e em pouco tempo já tava todo cheio de ideias. Tava seguindo pra segunda transmissão internacional, com certeza com milhões de planos.

Rodrigo Stüpp e Maellen Muniz são jornalistas e já foram colegas de trabalho de André Podiacki, Djalma Araújo Neto e Bruno Mauri da Silva, vítimas do acidente com avião da Chapecoense. Este texto foi originalmente publicado Blog do Seo Vení, voltado para conteúdo manezinho.

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