Finalista nos três últimos estaduais, técnico Hemerson Maria analisa decisão do Catarinense - Esporte - O Sol Diário

De olho26/04/2017 | 09h50Atualizada em 26/04/2017 | 09h51

Finalista nos três últimos estaduais, técnico Hemerson Maria analisa decisão do Catarinense

Treinador acompanha tudo do Campeonato Catarinense, disseca os finalistas e projeta jogos truncados e de vencedor por placares mínimos

Finalista nos três últimos estaduais, técnico Hemerson Maria analisa decisão do Catarinense Felipe Carneiro/Agencia RBS
Hemerson Maria acompanha Catarinense com atenção e fala sobre os finalistas Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Poderá parecer estranho olhar para uma das áreas técnicas, na Ressacada ou na Arena Condá, e não encontrar Hemerson Maria. Afinal, o treinador de 44 anos estava presente em quatro das cinco finais do Campeonato Catarinense. Claudinei Oliveira e Vagner Mancini disputam pela primeira vez o estadual e ocuparão o espaço enquanto Hemerson não estará envolto de torcedores ao seu redor, mas em casa, rodeado de amigos e familiares, diante do televisor, comendo pipoca.

Não vai ser um jogo qualquer, ou mais um entre tantos que acompanha desde a saída do Fortaleza, em fevereiro. A identificação forte com o futebol do estado faz com que o Catarinense tenha espaço privilegiado entre as preferências do técnico, que vão da Liga dos Campeões ao Campeonato Paraibano. Do estadual, viu o bastante para ter uma análise clara sobre os finalistas, até porque faz parte do momento do treinador. Em período sabático, se dedica também à leitura – está lendo a biografia de Alex Ferguson ¿Liderança¿ – e também voltar a conviver novamente com a esposa e a filha em Florianópolis. 

Das quatro finais que disputou, uma pelo Avaí e três no comando do Joinville, Hemerson Maria garante que venceu duas. Não ouse tirar dele o sentimento de campeão estadual de 2015, quando o JEC perdeu o título para o Figueirense em tribunais. A experiência em decisões em solo catarinense é o bastante para o alerta ao torcedor: vai sobrar disputa entre Avaí e Chapecoense e deve faltar um futebol vistoso.

Leia a entrevista na íntegra a seguir. 

É estranho estar fora de uma final de Catarinense, já que esteve presente em quatro das últimas cinco?
— É estranho. A rotina doméstica é diferente. Quando se está no futebol, há um cronograma: acorda, vai estudar a equipe adversária, programa o treinamento, trabalha,volta para casa e faz tudo novamente. Neste tempo tenho aproveitado a família, algo proveitoso. 

Sente falta do futebol?
— Sinto porque faz parte da minha vida. Desde os oito anos estou dentro de campo. Às vezes quando se está naquele corre-corre do futebol você clama por um dia de folga, para estar próximo da família, mas passadas 24 horas você quer estar no mundo do futebol novamente, quer retomar a rotina. Tem sido um momento proveitoso, de aprendizado, estou estudando bastante. Acredito que em um espaço curto voltarei a fazer o que mais gosto. 

O que engloba o estudo? Inclui assistir jogos de diferentes campeonatos e leitura?
— Tenho lido bastante, mas não apenas sobre questões táticas e técnicas, mas também questão psicológica. Tenho lido biografias de treinadores, em como lidar com o atleta, talvez seja este o grande segredo do treinador. E assisto a jogos de diversas ligas, não só do Brasil. Acompanho tudo: Copa do Nordeste, Campeonato Paraibano, segunda divisão de São Paulo. Principalmente para ter um catálogo de jogadores, estar por dentro das inovações. 

Acompanhou o Catarinense até agora?
— Tenho acompanhado bastante. O campeonato deste ano foi bastante equilibrado. Como sempre, o Catarinense é um dos mais equilibrados do Brasil. Todos os anos há quatro ou cinco equipes que buscam o título. O Avaí saiu na frente pelo entrosamento, a Chapecoense fez um investimento maior. Acredito que as duas melhores equipes chegam à final.

Qual a análise dos finalistas?
— O Avaí tem o entrosamento de sua equipe. O Claudinei conhece o grupo, tem o elenco na palma da mão, o que é importante. Ele extraiu o máximo dos atletas. O sistema de jogo do Avaí é bem definido, as substituições são previamente definidas. Ele aproveitou a base do ano passado, do acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, e os jogadores que chegaram acrescentaram, como o caso do Júnior Dutra, que ajudou bastante. As reposições também foram pontuais. Foi uma equipe campeã do primeiro turno e é normal a queda de rendimento que houve, é a acomodação dos jogadores, algo difícil do treinador lidar. A Chapecoense fez investimento maior. Ela montou uma equipe. O (gerente de futebol João Carlos) Maringá, que tive o prazer de trabalhar no Joinville, está de parabéns, junto com o Vagner Mancini, foi montada uma equipe muito competitiva em espaço curto. Demorou um pouco para engrenar, mas acredito que a Chapecoense e o Avaí foram as melhores equipes do campeonato.

Dos dois há algum favorito?
— É difícil apontar favorito. A equipe que joga o segundo jogo da final em casa no Campeonato Catarinense, algo histórico, tem um leve favoritismo. Mas é muito importante o primeiro jogo, que dá o rumo para levar alguma vantagem, aumentar ou até definir ainda no primeiro jogo. A partida que o Avaí faz na Ressacada, com o apoio da torcida que se agiganta nestes momentos, é importante. A Chapecoense vai estar envolvida na Libertadores e terá de ter cuidado para não perder o foco, por estar muito concentrada numa competição e relaxar na outra. Isso pode ser um ponto favorável ao Avaí também.

O peso do jogo de ida é algo que parece marcante para você pelas finais que viveu em Santa Catarina.
— Disputei uma com segundo jogo em casa e as outras três foram fora. Na minha primeira decisão (Avaí, em 2012) houve esse fato do fator campo, de jogar a primeira em casa. Soubemos tirar proveito, fizemos um placar elástico e, mesmo se tratando de clássico, acho que foi importante controlar o lado emocional dos atletas, para não haver empolgação e oba-oba. Controlamos bem isso, tínhamos um grupo experiente, controlamos o segundo jogo e saímos campeões. O primeiro jogo foi primordial. Em 2015 o fator campo no 0 a 0 com o Figueirense fez com que a gente tivesse a vantagem e fosse campeão na Arena Joinville. E os outros dois títulos perdemos justamente pela questão do mando de campo. Fizemos 2 a 1 na Arena em 2014, e o Figueirense fez o mesmo no segundo jogo e tinha a vantagem. E ano passado a Chapecoense venceu o primeiro jogo e conseguiu o empate na Arena Condá para ser campeã. 

Houve alguma equipe que poderia competir com os dois?
Técnico Hemerson Maria comenta sobre o desempenho dos outros times e aponta que Avaí e Chapecoense foram realmente melhores em cada turno. Veja no vídeo.

Claudinei e Mancini são treinadores sem experiência no futebol de Santa Catarina, disputam pela primeira vez a competição. Se pudesse, que conselho daria a eles para os jogos finais e a preparação para as partidas?
— Acho que é preciso manter o equilíbrio e o grupo focado. Não são jogos bonitos, são decididos em detalhes. Há uma carga emocional muito grande, apesar dos jogadores experientes dos dois lados. Como também são os treinadores, o Mancini com um pouco mais de rodagem e o Claudinei acostumado com grandes jogos, trabalhou no Santos, Goiás e Vitória e está acostumado com este tipo de jogo. É mais controlar a ansiedade dos atletas para que não haja expulsão, não haja queda de rendimento, não haja uma euforia por causa de vitória no primeiro jogo ou uma depressão pela perda do primeiro jogo. Não acredito que alguma equipe venha a conseguir grande vantagem no primeiro jogo. Vai ser decidido no segundo e em cima de detalhes. Acho que o Avaí leva vantagem no descanso, porque a Chapecoense vai estar envolvida na Libertadores da América. 

Pela proposta diferente das equipes, tende a ser placar de vantagem mínima?Hemerson Maria disseca as duas equipes. Veja no vídeo.

Quantos títulos de Catarinense tem na carreira?
- Tenho dois (risos).

Destas quatro finais, qual a mais marcante e a qual a mais dolorosa?
Hemerson parafraseia amigo para justificar escolhas e relata cada final que disputou. Veja no vídeo.

Aonde vai acompanhar a final do estadual?
— Vou estar em casa, com aquela pipoquinha, junto da família e meus irmãos. Estamos sempre na casa dos meus pais vendo os jogos do Catarinense. E aquela coisa: no futebol aprendemos a torcer pelos amigos quando estamos no profissional. Temos vários amigos na decisão e vamos torcer para um jogo de qualidade técnica, que o futebol de Santa Catarina merece. É um futebol que está em evidência, cada vez mais, e teremos uma grande final de Catarinense.

Acesse a tabela do Catarinense

 

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