Empréstimo de jovem é centro de ação do Avaí contra o Grêmio - Esporte - O Sol Diário

Série A07/07/2017 | 07h30Atualizada em 07/07/2017 | 14h19

Empréstimo de jovem é centro de ação do Avaí contra o Grêmio

Leão requer nos tribunais R$ 23 milhões sob alegação de contrato de empréstimo rompido, mas Tricolor gaúcho nega descumprimento

Empréstimo de jovem é centro de ação do Avaí contra o Grêmio Rodrigo Fatturi/Divulgação Grêmio
Jogador foi cedido por empréstimo ao Grêmio quando tinha 15 anos Foto: Rodrigo Fatturi / Divulgação Grêmio

Grêmio e Avaí se enfrentam às 16h deste domingo, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Passada a partida, porém, continuará aberta outra disputa entre os clubes. Essa, nos tribunais. O eixo do processo é a negociação de um jogador que, se muito, estará no banco de reservas tricolor, mas que já vestiu a camisa azurra: Dionathã, atacante, de 19 anos. O Leão move ação na justiça com alegação de rompimento de um acordo firmado há mais de quatro anos.

O Avaí aponta que os gaúchos deveriam ter devolvido o atleta ao fim da cessão do empréstimo – entre abril de 2013 e janeiro de 2014 – ou ter exercido a opção de compra. Hoje, o atleta está no Grêmio, tem contrato até 2019. Os tricolores rebatem que, ainda que não tenha sido quitada, a aquisição foi feita, e que Dionathã desejou continuar em Porto Alegre. Segundo os gremistas, o Leão jamais pediu o retorno do atacante.

Somada as multas de cláusulas do contrato, prejuízos estipulados pelo rompimento do acordo e os juros, o Avaí requer mais de R$ 23 milhões. O departamento jurídico tricolor rebate que o processo em si passa longe de tal valor e espera finalizar a aquisição dos direitos econômicos do jogador. Em outubro do ano passado, os clubes chegaram a costurar um acerto em que o Grêmio compraria 60% dos direitos do atleta por R$ 400 mil. O valor foi aprovado por ambos, mas a negociação emperrou. Menos de um mês depois, o Leão deu entrada no processo.

Procurador jurídico do Avaí, Sandro Barreto informou que esteve em Porto Alegre na época, acordou com o Grêmio e já em Florianópolis o combinado foi desfeito. O Grêmio pagaria quatro parcelas de R$ 100 mil, mas depois ofereceu – e o Leão rejeitou – R$ 309 mil em 24 parcelas. Confiante de que a audiência esteja por ser marcada, o advogado azurra preferiu não falar muito sobre o processo. Porém, sustenta que o clube gaúcho rompeu o contrato.

Nestor Hein, diretor jurídico do Grêmio, considera a ação judicial uma "aventura" do Avaí. O advogado pretende utilizar da boa relação entre os clubes para um acordo, apesar do espanto quanto ao processo e ao valor requerido pelos catarinenses.

– O Avaí não pede o retorno do atleta ao clube, nem quer que volte. O jogador sabe que não é um problema dele. O Avaí quer tirar dinheiro do Grêmio. É um negócio louco. Temos dezenas de ações em que cobramos e somos cobrados, mas esta foi inusitada – disse Hein.

Jogador com Marquinhos, antes do empréstimo ao Grêmio Foto: João Gualberto Mesquita / Arquivo Pessoal

Negociação envolveu o retorno de Marquinhos à Ressacada

Diogo Fernandes viu Dionathã pela primeira vez em 2011, quando estava em Imbituva (PR), a 180km da capital Curitiba. O menino chamou atenção do coordenador das categorias de base do Avaí, ainda que mais um entre os meninos. 

A avaliação mudou completamente quando soube que era um garoto de 13 anos entre os de 15.

– Se tivesse 14, escolheria de olho fechado – recorda-se Diogo.

Foi selecionado na hora. Já na Ressacada, foi alçado ao infantil sem passar pelo mirim e não desapontava a escolha do olheiro. Chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira sub-15. Chutes com as duas pernas, atua como meia-atacante e pelos lados de campo: o potencial superava o comportamento difícil, gerados pelos problemas estruturais na família.

– Na época eu achava um dos melhores jogadores da posição no país. Um dos melhores atletas que trabalhei no aspecto técnico – completa Diogo.

Foi então que em abril de 2013, aos 15 anos, foi cedido por empréstimo ao Grêmio. João Nilson Zunino e Fábio Koff, então presidentes de Avaí e Grêmio, respectivamente, tinham proximidade e entraram em acordo para ¿repatriar¿ um ídolo da torcida azurra. Juntamente com o volante Wallace (hoje no Hamburgo, da Alemanha), Dionathã estava entre os jovens encaminhados ao clube gaúcho em troca do retorno de Marquinhos à Ressacada. O empréstimo de Dionathã terminou em janeiro do ano seguinte. Não retornou e o Avaí não recebeu.

O primeiro contrato profissional do atacante foi feito no Grêmio, inclusive renovou o vínculo até 2019. Já com ação azurra ajuizada, os gremistas pediram o embargo. Entre os argumentos está que o atleta não tinha o desejo de retornar ao Avaí. Uma carta com a assinatura de Dionathã, de maio deste ano, expressa isso. Nela, o jogador informava que havia conversado com Diogo Fernandes para que seguisse em Porto Alegre.

– Essa conversa não existiu. Jogamos contra o Grêmio na Copa do Brasil sub-20. Ele bateu foto comigo e até manifestou interesse de voltar – respondeu o coordenador da base.

Entenda o caso
O atacante foi cedido pelo Avaí ao Grêmio em 2013. O empréstimo até janeiro de 2014 dava a preferência de compra ao clube gaúcho. O atleta segue em Porto Alegre desde então. O Leão reclama do rompimento do acordo.

Avaí alega
O atleta não retornou ao clube
Não houve pagamento da aquisição de direitos econômicos do atacante
O contrato foi rompido
Exige multas previstas em acordo de empréstimo e juros
Grêmio não poderia fazer contrato como profissional sem permissão do Avaí

Grêmio alega
O atleta não quis retornar ao Avaí
Exerceu a opção de compra, mas ainda não houve acordo para o pagamento
Contrato cumprido, resta a compra do percentual dos direitos econômicos
Busca negociar a compra do atleta
Fez o primeiro contrato como profissional e o renovou até 2019

*colaborou Roelton Maciel

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