Com irmã improvisada de "calheira", catarinense leva a prata na bocha paralímpica - Esporte - O Sol Diário

Jogos em São Paulo24/11/2017 | 17h44Atualizada em 24/11/2017 | 17h44

Com irmã improvisada de "calheira", catarinense leva a prata na bocha paralímpica

Lucas Felipe da Cruz, 13 anos, conquistou a medalha na bocha das Paralimpíadas Escolares

Com irmã improvisada de "calheira", catarinense leva a prata na bocha paralímpica Leandro Martins//MPIX/CPB
Foto: Leandro Martins / /MPIX/CPB

Graças a um imprevisto, teve catarinense que levou ao pé da letra a expressão "família unida vence unida" nas Paralimpíadas Escolares 2017, em São Paulo. Lucas Felipe da Cruz, 13 anos, conquistou a prata nesta sexta-feira na bocha paralímpica na categoria BC 3. O detalhe é que ele foi para a competição não com o "calheiro" - que são as "mãos" dos atletas com deficiências mais sérias - que há meses o ajudava, mas sim com a irmã mais velha improvisada na função.

A menos de 30 dias do evento, o calheiro habitual de Lucas acabou informando que não poderia estar em São Paulo nesta semana. Sem tempo de contatar outra pessoa e evitando que o garoto também acabasse não indo às Paralimpíadas, a irmã Crislaine assumiu o posto mesmo sem nunca antes ter tido contato direto com o esporte.

— Ou eu vinha com ele, ou ele ia ficar fora da disputa. E a gente não queria estragar o sonho dele, então eu aceitei o desafio — lembra a garota.

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Mesmo com pouco tempo de trabalho juntos, a afinidade que vem de casa parece ter dado certo. O menino de Porto União, que tem uma paralisia cerebral desde o nascimento, levou a prata e saiu sorridente da quadra.

Ele conheceu a bocha paralímpica em uma palestra de um projeto da prefeitura de União da Vitória (PR), vizinha a Porto União, há três anos. É também na cidade paranaense que treina duas vezes por semana gratuitamente, com uma van da prefeitura que o leva até lá.

Desde que começou na modalidade não parou mais de disputar competições dentro de Santa Catarina. Ano passado esteve pela primeira vez nas Paralimpíadas Escolares junto com o irmão gêmeo Bruno Rafael, que também é atleta da bocha paralímpica. Eles inclusive se enfrentaram em 2016 na última rodada da fase classificatória, e Lucas venceu e garantiu uma vaga na semifinal. Naquela edição a medalha não veio, mas agora em 2017 ela brilha prateada no pescoço do menino.

— Joguei pelo Bruno —disse Lucas ao fim da partida, lembrando do irmão que desta vez não se classificou para as Paralimpíadas, mas foi o primeiro a receber uma mensagem do gêmeo assim que a disputa em quadra terminou.

A família unida jogou, venceu e comemorou unida.

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