"O Avaí é uma família", diz Francisco Battistotti, eleito presidente com 92,44% dos votos  - Esporte - O Sol Diário
 

Entrevista10/12/2017 | 17h03Atualizada em 10/12/2017 | 17h05

"O Avaí é uma família", diz Francisco Battistotti, eleito presidente com 92,44% dos votos 

Eleições ocorreram durante o sábado no Estádio da Ressacada

"O Avaí é uma família", diz Francisco Battistotti, eleito presidente com 92,44% dos votos  Jamira Furlani/Avaí FC
Francisco Battistotti (D) e o vice Amaro Lúcio estarão à frente do Avaí pelos próximos quatro anos Foto: Jamira Furlani / Avaí FC

Em abril de 2016, a crise financeira, política e esportiva do Avaí fez com que Nilton Macedo Machado renunciasse à presidência do Leão. Coube ao então pouco conhecido vice-presidente Francisco Battistotti a missão de lidar com todos os problemas do clube, apesar das ameças sofridas por ele e por sua família por pessoas contrárias à sua manutenção. Um ano e oito meses depois, o resultado da primeira eleição da história azurra com voto direto para o cargo deixa claro que não há mais desconfiança sobre a gestão. Apesar do recente rebaixamento da equipe para a Série B, o resultado esportivo não foi confundido com o trabalho realizado nos bastidores, e Battistotti recebeu a confiança de 92,44% dos sócios que foram até a Ressacada para votar no sábado.

— Eu esperava a vitória, mas não com essa margem tão grande. Isso mostra que o sócio avaiano está preocupado com o futuro do clube, com a estabilidade e com a gestão — disse o presidente eleito para um mandato de quatro anos, na tarde deste domingo, à reportagem do Diário Catarinense.

Mas a vitória nas urnas não é só dele, diz Battistotti. O dirigente faz questão de dividir os méritos com todos os funcionários do clube. De acordo com ele, foi o entendimento de todos juntos, do funcionário mais simples ao com salário mais caro, que permitiu que a atual diretoria fosse mantida.

— O Avaí é de pessoas que se preocupam com o clube. A mim, cabe coordenar e gerir toda essa equipe. Não é só o Battistotti que faz o Avaí, é toda a equipe, que é como se fosse uma família. Para mim, um clube, assim como uma empresa, tem que ser gerido como se fosse uma família — sustenta. 

Com o rebaixamento concretizado há uma semana, após o empate por 1 a 1 com o Santos, as questões sobre o futuro do futebol avaiano foram deixadas em estado de espera enquanto o resultado das urnas não fosse definido. Agora, as prioridades são lidar com a montagem do elenco, a negociação para a renovação com o técnico Claudinei Oliveira e também traçar o planejamento financeiro, com o agravante do prejuízo que o Leão teve por causa da queda. De acordo com o dirigente, o descenso representa cerca de R$ 27 milhões a menos só em cota da TV.

No entanto, há confiança sobre o futuro. O primeiro desafio do ano é chegar à final do Campeonato Catarinense. O outro é chegar bem na disputa da Série B - competição com a qual o Avaí de Battistotti tem boas recordações. Em 2016, no primeiro grande desafio do presidente, o Leão confirmou o acesso - o que ele espera que se repita mais uma vez.

Eleição para presidente do Avaí - Francisco José Battistotti
Foto: Jamira Furlani / Avaí FC

Imaginou que teria uma vitória nas urnas com uma margem tão grande quanto foi?
Eu esperava a vitória, mas não com essa margem tão grande. Isso mostra que o sócio avaiano está preocupado com o futuro do clube, com a estabilidade e com a gestão. Ele entendeu que o resultado dentro de campo é consequência de uma gestão transparente. Depois de passarmos por um rebaixamento, essa é uma quantidade expressiva, 92,44% dos votos. Isso só me deixa com uma preocupação maior, que é retribuir toda essa confiança que é depositada em minha equipe.

Qual é o seu sentimento após ver essa aprovação tão grande?
É de satisfação pelo dever cumprido. Lá atrás, quando assumi e aconteceram todas aquelas ameaças, eram pessoas que não queriam o bem do Avaí. E eu sou uma pessoa humildade. Eu estou presidente do Avaí, eu não sou o presidente. Nunca vou dizer que sou. O Avaí é de pessoas que se preocupam com o clube. A mim, cabe coordenar e gerir toda essa equipe. Não é só o Battistotti que faz o Avaí, é toda a equipe, que é como se fosse uma família. Para mim, um clube, assim como uma empresa, tem que ser gerido como se fosse uma família. Se tiver um salário de R$ 1 mil, você não pode gastar R$ 1,2 mil, se não vai estourar lá na frente. Eles entenderam isso, os funcionários. Desde a Mara, que serve o cafezinho, até o Marquinhos, que é ídolo. Tem que ser dessa forma. É uma família, estão todos abraçados, e é uma satisfação enorme ter isso. Se não tiver uma equipe satisfeita e fechada, você não tem resultado em campo. O que mais me deixou chateado no rebaixamento é que neste ano eu não vou conseguir pagar o 14º salário para esse pessoal. Se Deus quiser, em 2018 a gente vai conseguir os resultados e pagar o 14º.

Qual é o balanço que o presidente faz do ano que passou?
No domingo e na segunda-feira (logo após o rebaixamento), ainda foi um baque. Fui entrar em órbita na terça-feira de manhã. São R$ 27 milhões a menos. A cota da TV que era de R$ 32 milhões cai para R$ 5 milhões na Série B. Então, passou um filme grande da coisa pela cabeça, desde aquele pênalti não marcado no jogo contra o Vitória, na primeira rodada. Inclusive, eu já pedi para que seja feito um levantamento com todos os erros de arbitragem contra o Avaí. E eu vou divulgar isso. A gente caiu por erros. É claro que o jogador que chegou na frente do gol e chutou para fora refletiu nisso, mas o maior reflexo foram os erros de arbitragem. Temos que brigar por árbitros mais profissionais. Hoje, eles erram e no dia seguinte vão para os seus trabalhos, não tem que viver com a consequência do erro. Nós, gestores, se errarmos pagamos a conta por isso. Eu sou um dos grandes defensores do árbitro de vídeo, porque isso vai escancarar os erros de arbitragem. Para clubes como Avaí, Vitória, Atlético-GO, Sport, que vivemos no fio da navalha, um erro provoca um desastre. Eu sugeri para o coronel Marinho (chefe da arbitragem da CBF) criar uma caixa preta para o árbitro. Já que tem o microfone ali, que se grave e que isso seja analisado pela comissão de arbitragem. Isso vai ser uma inovação enorme e, inclusive, vou sugerir para o Rubinho (Rubens Angelotti, presidente da Federação Catarinense de Futebol) para fazer isso. Essa questão da arbitragem deixa a gente muito chateado, porque atrapalha muito na gestão do futebol.

E o que é possível esperar dentro de campo em  2018?
Nós vamos buscar o Catarinense dentro das nossas condições. Tenho certeza que chegarei na final. E, é claro, vou buscar o acesso à Série A novamente. Temos que fazer um bom Campeonato Brasileiro, até porque há necessidade de aumentarmos as receitas do clube. Na terça-feira, sentei com o meu pessoal de futebol, com a Lourdes, que é minha CEO, para começarmos a fazer cortes. Nós temos jogadores que formam uma espinha dorsal, que tem contrato até 2018, e vou ficar com eles. O custo deles está em R$ 530 mil por mês. Eu não posso criar um banco de reservas para o Estadual com jogadores com salário de R$ 30 mil a R$ 40 mil, então vou usar a base. Vou dar chance para os jovens, e que Deus permita que eles aproveitem essa oportunidade. Vamos torcer para que apareçam mais um ou dois Gabriel, para que a gente possa negociar.

Já é possível definir quanto será a folha salarial do elenco para o Catarinense e para a Série B?
Não tenho ainda estes valores. Primeiros, tenho que saber o que vou buscar (de contratações). Eu vou pegar todo o meu ativo, subtrair as despesas fixas, e o valor que sobrar vou dividir por 13 (12 salários mais o 13º). Vou ter que gerir em função disso. Não adianta eu falar agora de quanto será a folha. Só tenho a informação de que a cota de TV para a Série B será de R$ 5,8 milhões, mas vou brigar na CBF para que "aconteça" mais. Sou a favor de que, o clube que cai de divisão, mantenha no mínimo 60% do que recebia no ano anterior, para que a situação continue estabilizada. Estamos tentando renovar o patrocínio com a Caixa, com mais dois ou três patrocinadores. Só o que posso garantir aos torcedores é que teremos uma gestão responsável.

Em 2016, você esteve à frente do clube que subiu da Série B para a elite. Conhecer o caminho das pedras ajuda?
Ajuda bastante. E em 2018 a situação estará melhor. Passei por uma Série B com quatro salários atrasados, e com o déficit financeiro de R$ 12 milhões, de 2015, que tive que pagar em 2016. Então, a gente tem que aproveitar o bom relacionamento que temos no cenário nacional e buscar algumas parcerias para trazer jogadores. Atletas de Flamengo, Santos, São Paulo, Cruzeiro, que não têm espaço lá, mas que precisam rodar. Vamos buscar essas parcerias.

O técnico Claudinei Oliveira fica na equipe?
Nós vamos conversar. Ele mandou uma mensagem parabenizando pelo resultado da eleição. Mas eu não sei se a condição salarial vai pesar. Eu não posso pagar para ele, na Série B, o que eu pago na Série A, isso é notório. Que eu saiba, ele tem propostas de ganhar o mesmo salário que tinha na Série A para trabalhar em time de Série B. Mas eu vou convencê-lo de que Florianópolis é melhor que qualquer outra cidade. Se não der certo, tem outros técnicos no mercado. Em até 15 dias, no máximo, temos que ter essa situação fechada. Eu tenho uma espinha dorsal de cerca de 65% dos jogadores fechados, mas tenho que buscar três ou quatro no mercado, e eles têm que vir dentro do sistema de jogo do treinador, para a gente não cometer os erros que cometeu em 2017 com alguns atletas.

O Maicon renovará?
Eu gostaria de ficar com o Maicon, mas eu ainda estou aguardando a comissão técnica para avaliar. Eu estou subindo o Guga, que é lateral, e tenho o Leandro Silva. Então, se fechar com o Maicon, eu vou esconder o Guga. Mas eu gosto do Maicon, que é um cara que ficou um ano e meio parado e só a gente sabe o que ele passou para chegar em condições de atuar nos últimos quatro jogos. Ele está pronto, está ótimo e está jogando. Mas vamos ver com a comissão técnica. Ele já se predispôs a reduzir o seu salário, assim como o Marquinhos. Ele disse: "Dinheiro, para mim, não é problema". Se sentarmos com ele, tenho certeza que não será um problema renovar.

O departamento de futebol terá mudanças? Joceli dos Santos continua como homem forte no setor?
Joceli é um cara que é avaiano de coração.Tem gente que fala que é preciso trazer diretor, gestor de futebol. Analise o passado, as pessoas que vieram de fora, que resultado elas deram? O que deixaram de passivo? Quais negociações fizeram? Eu acho que nós, catarinenses, temos gente capacitada suficiente para qualquer setor de um clube. Não preciso trazer gente de fora, pagar mais caro por isso. E o resultado? O cara de fora, chega no fim de semana, vai para São Paulo, Rio, Minas. O daqui, vai no mercado, e é cobrado pelo torcedor. Se errar, tem a consequência, sente isso. Em Santa Catarina temos muitas pessoas competentes. 

 Leia mais notícias do Avaí 

Foto:


O Sol Diário
Busca