Catarinense é o Estadual com mais trocas de treinadores no Brasil - Esporte - O Sol Diário
 

Dança das cadeiras14/03/2018 | 07h12Atualizada em 14/03/2018 | 07h12

Catarinense é o Estadual com mais trocas de treinadores no Brasil

Seis das dez equipes de Santa Catarina já mudaram o comando ainda no primeiro trimestre

Catarinense é o Estadual com mais trocas de treinadores no Brasil Caio Marcelo / Especial/Especial
Argel Fucks assumiu o comando técnico do Tigre no decorrer do Catarinense Foto: Caio Marcelo / Especial / Especial

Estabilidade, definitivamente, não é um dos benefícios oferecidos pelos clubes catarinenses aos treinadores de futebol. Antes de encerrar o primeiro trimestre de 2018, Santa Catarina lidera o índice de troca de técnicos durante a disputa do Campeonato Estadual, considerando as principais federações do País. Até agora, seis dos 10 times locais da elite (60%) optaram pela mudança no comando antes mesmo do fim da primeira fase.

Atrás de Santa Catarina estão Minas Gerais, Bahia e Ceará, em que 50% dos clubes promoveram trocas durante a competição que abre o ano. Os números catarinenses foram incrementados após a noite de segunda-feira, quando o Concórdia anunciou o desligamento de Mauro Ovelha, e o Joinville confirmou a saída de Rogério Zimmermann.

Arte DC
Foto: Arte DC / Arte DC

Se por um lado as estatísticas mostram a incapacidade dos profissionais para fazer as equipes reagirem em momentos de pressão e subirem na tabela de classificação, por outro a atitude revela a falta de convicção das diretorias no planejamento traçado antes mesmo do início da temporada. E isso já liga o alerta da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol, que critica a atitude dos cartolas em SC.

- O problema maior é que não se está mais observando o futebol pelo espetáculo, e só pelo resultado. Ninguém está preocupado em jogar futebol, só em ganhar. Mudar de técnico, mudar de elenco a cada três meses, não é a solução. Fica muito difícil enquanto os clubes não entenderem que é preciso de tempo para trabalhar. Se não tiver uma posição drástica da CBF, vai ser muito difícil recuperar o 7 a 1 - aponta Zé Mario, presidente da entidade criada para defender os interesses da categoria.

Na visão do ex-treinador, além de ser prejudicial aos técnicos, a troca constante no comando das equipes também é ruim para os clubes. Por isso, a entidade luta para a aprovação de um Projeto de Lei que limite a dança das cadeiras no futebol brasileiro.

- Futebol não é um esporte individual, em que uma pessoa só faz o resultado. O treinador no Brasil está com uma mala nas costas. Quando ele sai, a mala fica no clube. O técnico vai para outra equipe, começa um trabalho novo. Mas essa mala fica e quem é prejudicado é o clube - frisa.

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Foto: Arte DC / Arte DC

Federação pede regras para trocas

Uma das proposta da federação a fim de regulamentar a situação é que uma equipe só possa contratar um novo treinador depois de comprovar a quitação dos débitos com o profissional que ocupou a cadeira anteriormente. A cobrança se dá porque, em muitos casos, de acordo com Zé Mario, os contratos são rescindidos, mas as multas não são pagas aos profissionais que estão de saída.

- O Brasil é o único lugar do mundo onde, antes de começar o grande campeonato, que é o Brasileirão, os treinadores já saíram, já mudaram. O contrato é feito e rescindem a hora que quiser. Além disso, muitos dispensam e não pagam. O técnico precisa ir à justiça e leva cinco, seis anos para receber o que é de direito - lamenta.

Em Santa Catarina, apenas Chapecoense, Figueirense, Avaí e Tubarão não mudaram os treinadores. Os três grandes ocupam as primeiras colocações no campeonato e ainda lutam por um lugar na decisão.  O Peixe, apesar de acumular resultados negativos no começo do Catarinense e de ficar na zona de rebaixamento nas sete primeiras rodadas, apostou na manutenção de Waguinho Dias e hoje o time está em quinto lugar, cinco pontos à frente do primeiro na zona da degola.

Quem mudou em SC
Brusque: Saiu Picoli e entrou Pingo.
Criciúma: Saiu Lisca e entrou Argel Fucks.
Inter de Lages: Saiu Leandro Niehues e entrou e Rodrigo Fonseca.
Hercílio Luz: Saiu Luiz Carlos Cruz e Nasareno Silva é interino.
Concórdia: Saiu Mauro Ovelha e Emerson Cris negocia.
Joinville: Saiu Rogério Zimmermann e entrou Matheus Costa.

Quantos clubes já mudaram de técnicos durante os estaduais
Santa Catarina - 60% (6 de 10)
Minas Gerais - 50%  (6 de 12)
Bahia - 50% (5 de 10)
Ceará - 50% (5 de 10)
Goiás - 40% (4 de 10)
Pernambuco - 36% (4 de 11)
Paraná - 33% (4 de 12)
Rio de Janeiro - 25%  (3 de 12)
Rio Grande do Sul - 25%  (3 de 12)
São Paulo - 20% (4 de 20)

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