Sonho repleto de perigos: catarinense inicia viagem rumo ao cume do Everest - Esporte - O Sol Diário
 

Nas alturas24/03/2018 | 07h10Atualizada em 24/03/2018 | 07h10

Sonho repleto de perigos: catarinense inicia viagem rumo ao cume do Everest

André Freitas visa completar missão no dia 14 de maio e ser o primeiro de Santa Catarina no topo do mundo

Sonho repleto de perigos: catarinense inicia viagem rumo ao cume do Everest Guilherme Hahn/Especial
André começa subida na montanha na próxima quarta-feira, dia 28 Foto: Guilherme Hahn / Especial

Completar aniversário no topo do mundo é o objetivo do empresário André Freitas, natural de Criciúma. Movido a desafios, ele pretende superar os 8.848 metros do Monte Everest no dia 14 de maio – data em que faz 49 anos–, chegar ao cume da montanha mais alta do mundo e se eternizar como o primeiro catarinense a concluir a missão. Um objetivo que ele, como poucos, sabe que não é fácil. Em 2014, uma avalanche matou 16 pessoas quando estava prestes a iniciar a escalada. Acompanhe aqui o passo a passo até o cume!

Ele sentiu de perto o que significa estar em uma das maiores montanhas do mundo. André chegou até o acampamento base do Everest, mas não foi possível avançar. Com a morte de 16 xerpas (como são conhecidos os guias locais), as expedições foram canceladas. Naquela ocasião, a chegada ao cume aconteceria no aniversário de 45 anos. 

– A gente sabe que pode morrer em uma aventura, mas é diferente estar lá e ver as pessoas morrerem. Percebi o quanto a vida é frágil. Em uma dessas, eu posso ir e não voltar. Na outra vez que eu fui, o meu sentimento estava mais leve. Depois da avalanche, vi que não é fácil como pensava. 

É preciso de coragem para encarar os riscos, que André sabe que não são poucos. É uma morte a cada 25 pessoas. Ou seja, 4% dos alpinistas perdem a vida, principalmente após ultrapassarem o acampamento 4. A partir dos 8 mil metros de altitude, a área é conhecida como zona da morte. Alguns, inclusive, jamais retornam. Na montanha existem 28 corpos. O resgate gira em torno de R$ 400 mil. 

– No cume você fica no máximo 15 minutos. A partir do último 1km de subida é a zona da morte. O corpo começa a se degradar e não é possível ficar muito tempo. A gente leva tanques de oxigênio. Se der algum problema, ninguém consegue te puxar. Fica ali e pronto. Morreram 300 pessoas até hoje e tem 28 corpos lá na montanha, sendo que alguns deles você enxerga no trajeto.

Antes de embarcar para a expedição, o empresário organizou tudo. André reconheceu que o chamam de louco por voltar ao Himalaia, principalmente por estar bem próximo da avalanche em 2014. Apesar de entender que pode não voltar com vida, ele está bastante otimista em chegar com sucesso ao topo do mundo.

– Ninguém te apoia, mas o pessoal aceita. Eu não apoiaria um filho meu em uma missão dessas. Não existe preparação com a família. Dizem que eu sou louco. Fui dar tchau aos meus amigos de São Paulo, e eles falaram pra eu não ir ao Everest. Ninguém sabe o que vai acontecer. Eu deixei testamento e fiz procuração para minhas irmãs tocarem a empresa. Ninguém quer o pior, mas não dá para prever. Sou um cara positivo e acho que nada vai me acontecer. 

A viagem para o Nepal começou na sexta-feira, quando André deixou Florianópolis. A chegada em Katmandu, capital do país asiático, é no domingo. De lá, o empresário ainda vai até Lukla, último vilarejo antes de iniciar a expedição na quarta-feira, dia 28. O primeiro trecho já faz parte da aclimatação do corpo em relação aos efeitos da altitude.  

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Em 2014, empresário esteve no Everest, mas não completou a subidaFoto: André Freitas / Arquivo Pessoal

Desafiante do impossível
Chegar ao topo do mundo exige preparação da mente e do corpo. E os treinamentos de André não são simples. Para suportar as baixas temperaturas e o intenso esforço, ele faz treinamentos de triatleta. Completou oito vezes o Ironman de Florianópolis (3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida), o que ajuda muito a ganhar resistência. 

– Esse ano fiz o treinamento físico, mas as provas do triatlo são minhas aliadas. Cheguei a ficar 16 horas em atividade e sei como é. Tem ainda o lado psicológico. Na preparação, fiz quatro caminhadas de umas 12 horas cada. Gosto de coisas que digam ser impossível. Foi por isso que comecei no esporte - conta.

O cronograma prevê a chegada ao campo base no dia 10 de abril. Dez dias depois, André segue para os acampamentos 1 e 2, mas retorna ao campo base e fica mais cinco dias até chegar ao acampamento 2 e 3 e voltar ao base. Esses processos fazem parte da aclimatação. Entre os dias 10 e 12 de maio ele estará no acampamento 4, que fica a 8 mil metros de altitude, o último antes do ataque ao cume.

Depois de subir o Everest, o empresário definiu qual será o próximo desafio: dar a volta ao mundo de helicóptero. Além disso, ainda tem o desejo de completar 10 provas de Ironman. 

– Queria fazer o mesmo que o Amyr Klink fez, que é cruzar o Atlântico em 100 dias em um barco a remo, mas odeio o mar. Sou piloto de helicóptero, gosto de aventura. Nenhum brasileiro deu a volta ao mundo. Primeiro quero o Everest e depois vou partir para outra. O que me guia são os desafios. Meu sonho também é completar 10 provas de Ironman – revela. 


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