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Meio ambiente26/10/2012 | 19h45

Bombinhas estuda cobrança de taxa para turistas durante a temporada

Ideia é conter a entrada excessiva de visitantes para proteger as belezas naturais, principal atrativo turístico da cidade que está entre os três melhores destinos de praia do Brasil

Bombinhas estuda cobrança de taxa para turistas durante a temporada Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Intenção da medida é proteger as belezas naturais de Bombinhas Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS
Dagmara Spautz

Pode soar pretensioso. Antipático, até. Mas a visão azul esverdeada do mar de Bombinhas poderá, em breve, ter seu preço. Eleito um dos três melhores destinos de praia do país pelos leitores da revista Viagem e Turismo _ prêmio anunciado na quinta-feira _ o município avalia a possibilidade de cobrança de taxa para os turistas que não vão passar a noite na cidade.

A ideia, ainda em fase de estudos, é conter a entrada excessiva de visitantes para proteger as belezas naturais, principal atrativo turístico da cidade, e garantir a mobilidade urbana.

– É o primeiro passo para transformar o município em uma cidade-parque, como Fernando de Noronha – diz o secretário de Turismo, Cláudio Souza.

Dona de uma natureza exuberante, Bombinhas tem 39 praias em uma área de apenas 33 quilômetros quadrados. Ao contrário das demais cidades da região, o principal acesso não é feito pela BR-101, mas através do município de Porto Belo.

O trecho entre as duas cidades, de 18 quilômetros, chega a levar mais de duas horas para ser percorrido durante o verão – não somente um transtorno para moradores e turistas, mas também um risco para o atendimento de saúde. Durante o verão, casos graves dependem de resgate aéreo.

Para minimizar o impacto ao trânsito, hoje é cobrada taxa de R$ 300 pela entrada de ônibus de turismo na cidade. A expectativa é que, com a cobrança de um valor também para os carros de passeio, o tráfego possa fluir com maior rapidez.

– Não que não tenhamos interesse no turista que vai passar o dia, pelo contrário, sabemos que ele pode vir a se tornar um hóspede. Mas não suportamos a carga e esse turista não nos deixa resultado. No final, sai falando mal porque encontra um trânsito terrível – diz o presidente da Associação Empresarial de Bombinhas (AEMB), Francisco Maciel.

Segundo ele, o principal problema com o turista de um dia só é que, via de regra, ele nem sequer consome no comércio local. Mais de 80% chega cedo, ocupa a praia e traz comida e bebida de casa.

Maciel acredita que uma solução mais rápida para o volume de turistas seria a implantação de estacionamento pago, aos moldes da zona azul, nas principais praias do município.

Sinal de alerta

A ideia também faz parte dos planos de Ana Paula Silva (PDT), eleita prefeita de Bombinhas nas últimas eleições:

– Dependendo do tom da transição, poderemos implantar a zona azul já nesta temporada – diz.

Ana Paula concorda com a instituição do pedágio como forma de minimizar o impacto ambiental do turismo em Bombinhas. A prefeita eleita pretende dar sequência aos estudos e, se possível, instituir a medida na temporada 2013-2014.

–_ Ficamos sensibilizados com o reconhecimento de Bombinhas como uma das melhores praias do país, mas vejo como um sinal de alerta. É como se nos dissessem: vocês têm um paraíso, cuidem dele.

Reflexo da taxa depende da forma de aplicação

A cobrança de pedágio urbano pode ser uma solução para garantir a viabilidade turística de Bombinhas, que recebeu na última temporada 130 mil turistas, quase 10 vezes o que tem de habitantes. Mas, se não for instituída de forma adequada, pode afastar os visitantes e prejudicar a principal atividade econômica da cidade.

– Se bem aplicado pode inclusive ser positivo, para reforçar a imagem de um destino com preocupação em manter o uso da cidade dentro de sua capacidade de carga ambiental e social. Mas se aplicada sem os devidos cuidados, pode ser indelicado com o turista, não garantindo o princípio da hospitalidade, fundamental na atratividade de qualquer destino – avalia Francisco Antônio dos Anjos, pós-doutor em Urbanismo e Ordenamento de Território e coordenador do mestrado e doutorado em Turismo e Hotelaria da Univali.

Para Carlos Alberto Tomelin, doutor em Turismo e Hotelaria, o esclarecimento de como será usado o recurso arrecadado com a taxa é essencial para manter a credibilidade do destino turístico:

– O ideal seria que a cobrança iniciasse de forma opcional num primeiro momento, para não criar uma imagem negativa do município.

Obra do segundo acesso segue suspensa

A abertura de um segundo acesso a Bombinhas poderia diminuir o impacto à mobilidade urbana na região central pela chegada dos turistas . A proposta inicial, de uma estrada cortando o Morro da Antena, foi suspensa pela Justiça há dois anos, através de uma ação do Ministério Público Federal de Itajaí (MPF).

A obra, de responsabilidade do Governo do Estado, teve o trajeto questionado porque, na avaliação do procurador Roger Fabre, as licenças ambientais teriam sido emitidas sem que os impactos ao meio ambiente tivessem sido avaliados corretamente.

Nos últimos dois anos foram apresentadas outros estudos de traçado – incluindo um túnel e uma estrada na encosta do morro. No momento, os projetos passam por uma nova análise de custos, a pedido do MPF.

– Temos propostas bem consistentes, com possibilidade de ser executadas nos próximos anos _ diz a prefeita eleita de Bombinhas, Ana Paula Silva.

Confira entrevista com o procurador do MPF, Roger Fabre, aqui.

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