Suspeito de organizar sequestro de garoto de nove anos em Ilhota diz que monitorou família por 10 dias - O Sol Diário
 
 

Sequestro03/06/2014 | 17h15Atualizada em 03/06/2014 | 17h22

Suspeito de organizar sequestro de garoto de nove anos em Ilhota diz que monitorou família por 10 dias

Homem foi detido no Litoral Centro-Norte na manhã desta terça-feira

Um homem de 30 anos é suspeito de comandar o sequestro de um menino de nove anos que mobilizou a Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) nos últimos cinco dias em Ilhota e no Litoral Centro-Norte. O garoto foi solto do cativeiro no final da manhã desta terça-feira.

O suspeito usava dois RGs, mas o nome correto dele é Peterson da Silva Machado, 30 anos. Segundo a Polícia Civil, ele tem várias passagens por crimes ocorridos em Santa Catarina. Em entrevista à imprensa, o rapaz admitiu participação no crime. Disse ter organizado o sequestro depois de 10 dias de monitoramento da família do menino, que é proprietária de um loja de roupa íntima de Ilhota.

Nos dias em que esteve no poder dos sequestradores, o garoto teria se alimentado e até jogado video game, conforme contou o suspeito.

O crime

Angelo Antonio, nove anos, é filho do empresário Jean Carlos de Oliveira de Ilhota, brincava com um patinete motorizado a 250 metros de casa, em Ilhota, quando foi visto pela última vez quinta-feira passada. Ele foi mantido em cativeiro por cinco dias (sequestro iniciou às 19h30min de quinta-feira).

O desfecho ocorreu em Penha, no Litoral Centro-Norte. Segundo o delegado responsável Deic, Akira Sato, dois bandidos morreram no confronto com a polícia e um terceiro foi preso. O sequestro ocorreu na noite de quinta-feira, quando um comerciante teria visto o menino sendo levado à força por um casal que estava em Ford Ka vermelho. Na mesma noite a família recebeu a primeira ligação de sequestradores que pediam um resgate de R$ 500 mil em dinheiro.

A Polícia Civil fará uma coletiva às 16h em Gaspar para detalhar a operação que resgatou o garoto e explicar como foi o trabalho da Deic nos últimos cinco dias.

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A família acionou a polícia local que chamou reforço de da Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), de Florianópolis, pelo menos dois delegados se deslocaram até Ilhota para ajudar nas investigações. Este foi o primeiro caso de sequestro desde a morte do delegado aposentado Renato José Hendges, conhecido como Renatão, da Divisão Antissequestro da Deic, no dia 16 de abril. Ele era conhecido pela trajetória e casos bem-sucedidos de sequestros em Santa Catarina. Inicialmente a polícia partiu do princípio de que se tratavam de sequestradores com pouca experiência, com base no valor pedido, considerado baixo.

Esta hipótese preocupou ainda mais o delegado-geral Aldo Pinheiro D'Ávila, pois o fato de serem bandidos amadores trazia maior risco à vida do menino. Com o passar do tempo, porém, a demora em se dar fim ao caso e manter o menino em cativeiro, fez com que a polícia mudasse o foco e acreditasse tratar-se se criminosos experientes. Como a prioridade era garantir a integridade física do pequeno, a polícia optou por esperar que a família pagasse o resgate ao invés de estourar o cativeiro.

Confira a linha do tempo do sequestro:




Menino é a alegria dos pais

O garoto levado por sequestradores tem perfil no Facebook. As fotos que publica não deixam dúvida: é a alegria da família. O sentimento fica evidente em postagens de cenas ao lado dos pais em casa, na praia, no restaurante e também na piscina de um edifício em Balneário Camboriú.

Nascido em Blumenau, ele também publicou foto com modelos famosas, entre elas a panicat Carol Dias — ela já desfilou com peças da grife de biquínis de propriedade dos pais do menino e que costuma promover desfiles com as integrantes do programa humorístico de rede nacional.

A família é tradicional, bastante conhecida e mora no Centro de Ilhota, atrás da loja. Jean também tem envolvimento com a política. O avô do menino, empresário Érico de Oliveira, o Dida, proprietário de outra empresa, foi vice-prefeito entre 2001 e 2004 e duas vezes candidato a prefeito. Ambos participam ativamente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) local.

* O Grupo RBS acompanhou o sequestro, mas não divulgou a ocorrência para não prejudicar a negociação com os sequestradores e preservar a vítima.

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