Lista de espécies ameaçadas de extinção cria impasse entre pescadores e Meio Ambiente - O Sol Diário
 
 

Impasse05/01/2015 | 21h28

Lista de espécies ameaçadas de extinção cria impasse entre pescadores e Meio Ambiente

Enquanto entidades pesqueiras enxergam os prejuízos no setor, instituto que coordena estudo aponta regra como essencial para garantir futuro da atividade

Lista de espécies ameaçadas de extinção cria impasse entre pescadores e Meio Ambiente Marcos Porto/Agencia RBS
De um lado estão os pescadores e do outro o Ministério do Meio Ambiente Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

Um cabo de guerra. De um lado pescadores, do outro o Ministério do Meio Ambiente. Em disputa: a pesca de espécies consideradas em extinção. O impasse _ que provocou o protesto, impedindo a entrada e saída de navios do Complexo Portuário do Itajaí-Açú nesta segunda-feira, começou em dezembro, com a publicação da nova relação oficial da fauna ameaçada no Brasil, incluindo 475 tipos de peixes.

Enquanto o setor pesqueiro alega que a proibição da captura apenas gera prejuízo, o Instituto Chico Mendes (ICM-Bio) _ que coordenou a atualização da lista _ aponta a regra como essencial para garantir o futuro da atividade.

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Os danos à economia são os principais argumentos das entidades pesqueiras de Itajaí _ maior polo pesqueiro do país _ contra a nova lista de espécies ameaçadas de extinção. Entre os tipos de peixes apontados, cerca de 80 são considerados comerciais, como cherne, garoupa, bagre, cação, emplasto, namorado e arraia (a relação completa está no site do Ministério do Ambiente).

— O prejuízo para o setor é enorme, essa portaria ameaça o emprego de mais de 60 mil pessoas direta e indiretamente na região — explica o presidente do Sindicato dos Armadores e Indústria da Pesca (Sindipi), Giovani Monteiro.

O presidente do Sintrapesca, Manoel Xavier de Maria, afirma que a lista prejudica principalmente quatro modalidades de pesca _ espinhel de fundo, captura de arrasto, cerco e emalhe _ e questiona a metodologia usada:

— Não fazem nenhum tipo de estudo ou pesquisa para fazer essa lista — disse.

Responsável pela nova lista, o ICM-Bio afirma que o processo de revisão das espécies ameaçadas no país começou ainda em 2008. O coordenador-geral de Manejo para Conservação de Espécies, Ugo Vercillo, explica que centenas de especialistas e cientistas de todo o país participaram da pesquisa. Somente de peixes, foram avaliadas mais de 5 mil espécies. Os critérios para inclusão na lista foram desenvolvidos pela União Internacional para Conservação da Natureza e abrangem, por exemplo, a redução da população e a distribuição geográfica restrita. 

— A gente não entende o motivo desse questionamento por não apontam quais espécies discordam que estejam na lista. Só falam na lista toda. Não recebi demanda nem de sindicato e nem de ministério — afirma Vercillo.

A nova regra entra em vigor daqui há seis meses. O ICM-Bio explica que o prazo serve para que o setor se adapte. A lista deve ser revista anualmente, conforme se tenha aporte de novos dados. Mudanças antes de prazo, porém, não estão descartadas: 

— Pode ser revisto a qualquer momento, desde que tenham dados disponíveis. A gente quer tirar espécies da lista, mas tem que mostrar melhoria. Não queremos prejudicar o pescador, mas garantir a renda dele no futuro e das gerações seguintes — conclui o coordenador.

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