Viviane Bevilacqua, sobre ídolos de verdade: "Zeca tem os dele, eu tenho os meus, minha vizinha tem os dela" - O Sol Diário
 
 

Opinião29/06/2015 | 17h49

Viviane Bevilacqua, sobre ídolos de verdade: "Zeca tem os dele, eu tenho os meus, minha vizinha tem os dela"

Colunista analisa repercussão do comentário de Zeca Camargo sobre o cantor Cristiano Araújo

Viviane Bevilacqua, sobre ídolos de verdade: "Zeca tem os dele, eu tenho os meus, minha vizinha tem os dela" Rubens Cerqueira/Divulgação
Foto: Rubens Cerqueira / Divulgação

Eu não gosto de música sertaneja universitária, com raríssimas exceções. Também não sabia quem era Cristiano Araújo até o trágico dia de sua morte, embora já tivesse ouvido algumas vezes no rádio pelo menos o refrão daquela música, “bara, bara, bara, bere, bere, bere”. É o tipo do refrão grudento que mesmo que a gente queira não consegue esquecer. Nem por isso, entretanto, concordo com o que o Zeca Camargo falou.

Para ser respeitado é preciso respeitar, e os fãs do cantor sertanejo e deste gênero musical, que arrebata milhões de admiradores em todo o país, merecem pelo menos o respeito. Para eles, morreu um ídolo da música. Para nós todos, morreram dois jovens que tinham muita vida ainda pela frente. E isso sempre é triste, são perdas irreparáveis.

Por que a nossa opinião valeria mais do que a dos admiradores
do sertanejo, da música eletrônica, do rock, do pagode?

O jovem cantor podia não ser nenhum monstro sagrado da música brasileira, mas questões de gosto não se discute, e parece que o Zeca Camargo não assimilou muito bem isso, apesar de tanto tempo de vida e de estrada. O jornalista disse que o Brasil precisa de novos heróis. Quem são os “velhos heróis”? Forço minha memória e não consigo lembrar de nenhum.

Disse, ainda, que precisamos de "ídolos de verdade". Isso é muito relativo. Zeca tem os dele, eu tenho os meus, minha vizinha tem os dela. E nem sempre quem é bom para uns, necessariamente será para todos.

Zeca ressalta que os "verdadeiros artistas" como Cazuza e Michael Jackson é que merecem ser exaltados e fazem falta no cenário musical. Eu gostava muito deles também — revejo os especiais do Michael várias vezes, e minha admiração pelo artista que ele foi só aumenta. Mas essa não é — e não pode ser — uma verdade absoluta.

Por que a nossa opinião valeria mais do que a dos admiradores do sertanejo, da música eletrônica, do rock, do pagode? Afinal, música não é sentimento, emoção? Será que precisa mesmo toda essa discussão sobre gosto musical?

O Brasil é enorme, tem milhares de artistas, de todos os gêneros e para todos os gostos. Cada um que curta o que lhe faz bem, e simplesmente deixe de lado o que não gosta. Simples assim.

DIÁRIO CATARINENSE

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