Influência de Zé Ferreira se estenderia além da Codetran - O Sol Diário
 
 

Parada obrigatória06/08/2015 | 07h21

Influência de Zé Ferreira se estenderia além da Codetran

Vereador teria agilizado alvarás para evento mediante suposto pagamento de propina

Influência de Zé Ferreira se estenderia além da Codetran reprodução/reprodução
Escuta telefônica mostraria suposto esquema de liberação de alvarás Foto: reprodução / reprodução

A influência de Zé Ferreira não se restringiria à área de trânsito. O Festival de Food Trucks realizado em Itajaí entre 5 e 7 de junho deste ano também teria sido usado pelo vereador licenciado para tentar obter propina. Segundo as investigações do Gaeco, Zé ganharia entre 10% e 15% sobre o faturamento da bilheteria e 20% sobre o valor da bebida para ajudar o organizador do evento a conseguir os alvarás necessários.

No depoimento que revela o suposto esquema de propina envolvendo o festival, o dono da distribuidora de bebidas Litoral Eventos, Rudimar Dickel Correa, descreve Zé como "vereador conhecido no meio empresarial por exigir vantagens indevidas em troca da realização de favores junto a órgãos da prefeitura municipal de Itajaí". 

Segundo o empresário, responsável pelo fornecimento das bebidas para o festival, há poucos dias do evento, o organizador ainda não tinha os alvarás. Ele, então, o orientou a pedir ajuda para o Zé alegando que "na cidade de Itajaí ele encontraria muita dificuldade para conseguir toda a documentação exigida pela prefeitura, tendo em vista que neste município existe muita gente criando dificuldades para vender facilidades".

Correa contou que o organizador concordou em pagar a propina em um primeiro momento, mas poucos dias antes decidiu não pagar os valores combinados. De acordo com o empresário, Zé passou a ameaçar o organizador do festival "dando a entender que caso a propina não fosse paga, o evento não aconteceria".

Para o Gaeco, Correa coordenou o esquema de propinas no festival, o que o levou a ser indiciado pelo crime de concussão.

Justiça vai avaliar delação premiada

O empresário Julio Cesar Fernandes, dono do pátio que presta o serviço de recolhimento aos veículos apreendidos em Itajaí, e apontado pelo Gaeco como o elo principal do esquema de corrupção, assinou delação premiada com o Ministério Público. Por meio do acordo, ele se comprometeu a revelar tudo o que sabia sobre a corrupção, apresentando nomes e provas ao Gaeco.

Como benefício, caso a delação seja homologada pela Justiça, Fernandes pode ter a pena reduzida entre um e dois terços, expedição imediata de alvará de soltura (benefício que ele recebeu em 15 de julho), direito de cumprir a pena inicialmente em regime aberto e, até mesmo, perdão judicial.

Conforme a juíza titular da 1ª Vara Criminal de Itajaí, Sônia Moroso Terres, a delação premiada de Fernandes será entregue pelo Ministério Público junto com a denúncia. Posteriormente, a jurista vai apreciar o conteúdo e decidir se vai ou não homologar o documento. 

O filho de Zé Ferreira, Jefferson Alvercino Ferreira, foi indiciado por receptação qualificada porque, de acordo com as investigações, ele utilizava peças de carros apreendidos no pátio da prefeitura em veículos da Utilicar, revenda de carros usados de sua propriedade.

Em delação premiada, o empresário Júlio César Fernandes, responsável pelo pátio, contou ao Gaeco que em 3 de julho deste ano, liberou a fechadura de um Peugeot 307 para ser usada pela Utilicar. Três dias depois, liberou a bubina de um Mercedes Classe A para a utilização de Jeffersson. E em 7 de julho autorizou a retirada de rodas de um veículo por um funcionário da mesma garagem.



CONTRAPONTOS

José Alvercino Ferreira
A reportagem não conseguiu contato com o advogado Luiz Antônio Alves.

Jefferson Alvercino Ferreira
O advogado de Jefferson, Denísio Dolásio Baixo, afirma desconhecer "o crime imputado" ao seu cliente. Segundo Baixo, Jefferson se apresentou espontaneamente ao delegado do Gaeco, Daniel Garcia, para prestar esclarecimentos.

— Vamos provar tecnicamente que a denúncia do Ministério Público não condiz com a realidade — diz.

Nelson Abrao de Souza
Souza alega ter sido indiciado no inquérito devido a um depoimento prestado por Willian Giovani Gervasi. Ele nega participação no esquema de corrupção e afirma que provar a sua inocência por meio do seu advogado.

Willian Giovani Gervasi
A reportagem não conseguiu contato com Gervasi. Na Codetran informaram que ele está afastado do trabalho há duas semanas por motivos de saúde.

Rudimar Dickel Correa
A reportagem não conseguiu contato com Correa pelo celular para ouvir a sua versão sobre o indiciamento.

Julio César Fernandes
A reportagem não conseguiu localizar Fernandes para ouvir a sua versão sobre o indiciamento.

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