Inquérito sugere esquema criminoso dentro da prefeitura de Itajaí - O Sol Diário
 
 

Investigação06/11/2015 | 06h51

Inquérito sugere esquema criminoso dentro da prefeitura de Itajaí

Documentos da Operação Dupla Face revelam como indiciados teriam obtido vantagens no Executivo municipal

Inquérito sugere esquema criminoso dentro da prefeitura de Itajaí Maikeli Alves/Agência RBS
Investigação durou seis meses e ouviu mais de cem pessoas desde que a operação foi flagrada Foto: Maikeli Alves / Agência RBS

O inquérito da Operação Dupla Face, entregue dia 23 de outubro à Justiça e ao qual O Sol Diário teve acesso com exclusividade, revela os detalhes de um suposto amplo esquema de corrupção na prefeitura de Itajaí que teria extorquido empresários e lesado os cofres públicos em valores ainda incalculáveis. O relatório traz novos nomes de pessoas públicas à lista dos investigados e deixa claro que as possíveis ilegalidades, comandadas através de diferentes secretarias, seriam de conhecimento de pelo menos parte dos servidores municipais.

As investigações mostram que o principal alvo da organização criminosa que segundo a polícia se formou na administração pública eram as construtoras, bombardeadas por pedidos de propina. Em alguns casos, havia cobrança ou indicação de empresas ligadas aos membros do esquema para levar adiante processos que, supostamente, apresentavam irregularidades. Em outros, eram identificadas anormalidades através do que o inquérito chama de “interpretação tendenciosa das leis”. Ou seja, criavam-se problemas para, depois, vender facilidades às construtoras.

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Gravações telefônicas obtidas em seis meses de investigação e os mais de cem depoimentos colhidos após a operação ter sido deflagrada, em 24 de agosto, levaram o delegado Daniel Garcia, responsável pelo caso, a relatar e indiciar agentes públicos também por outros crimes, como suspeita de fraude em licitação. É o caso da compra de um tipo específico de flor para ser plantado nos canteiros da cidade, no início deste ano.



Na época, a licitação chegou a ser alvo de um pedido de CPI na Câmara de Vereadores que, por força da bancada governista, acabou sendo arquivado.

Surpresas no indiciamento de novos nomes

Entre as 23 pessoas indiciadas pelo delegado Daniel Garcia, responsável pelo inquérito, estão agentes públicos que foram presos durante a operação, como os vereadores Douglas Cristino da Silva (PSD) e Afonso Arruda (PMDB), o ex-procurador Rogério Ribas e os ex-secretários Paulo Praun Cunha Neto, do Urbanismo, e Sadi Pires, da Habitação.

Mas há também novos nomes, como o secretário de Saúde de Itajaí, Osvaldo Gern (PP), suspeito de prática de advocacia administrativa, e o vereador Laudelino Lamim (PMDB), indiciado por supostamente ter pedido R$ 300 mil e uma viagem em um cruzeiro como pagamento de propina.

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Embora os indiciados ainda não sejam réus do processo — o que só ocorre se houver denúncia apresentada pelo Ministério Público e acatada pela Justiça —, o fato de terem sido nomeados mostra que, para a polícia, há indícios suficientes de que praticaram algum tipo de crime. E a lista, no caso da Operação Dupla Face, é grande: somadas as acusações contra cada um dos indiciados, são 123 ocorrências criminosas.

O promotor Luiz Eduardo Couto Vieira Souto, responsável pela moralidade administrativa, ainda aguarda o resultado de perícias para avaliar o inquérito. A decisão sobre a denúncia deve sair até o fim do mês.

O SOL DIÁRIO

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