Paralisação dos servidores públicos muda rotina de Itajaí - O Sol Diário
 
 

Negociação06/04/2016 | 07h05

Paralisação dos servidores públicos muda rotina de Itajaí

Trabalhadores votam nesta quarta a contraproposta do município de 7% de reajuste salarial. Confira como funcionará o atendimento na cidade

Paralisação dos servidores públicos muda rotina de Itajaí Lucas Correia/Agencia RBS
Legenda: Funcionários do município fizeram uma caminhada ontem no Centro pedindo mais valorização Foto: Lucas Correia / Agencia RBS
Itajaí começou a sentir os impactos da greve dos servidores públicos, que reivindicam aumento de salário. Só na Educação Infantil, mais de 800 dos mil servidores pararam as atividades ontem. Os Centros de Educação em Tempo Integral também tiveram mais de 50% de adesão dos funcionários, enquanto o Ensino Fundamental registrou 41% de participação.

Vanessa Cristina Vieira foi uma das moradoras que encontrou a creche do filho fechada na manhã de terça-feira. Ela já tinha ouvido sobre a greve, mas resolveu conferir se a unidade do bairro Fazenda estaria aberta:

— Estava acompanhando e sei que muitos lugares ficaram parados, mas vim ver como estava, até pra não perder a vaga. Chegando aqui não tinha ninguém.

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A situação preocupa empresas como a Gomes da Costa, onde 80% dos funcionários da produção são mulheres. Na segunda, em torno de 10% das trabalhadoras que têm filhos em creche faltaram em função da greve.

— Quando ocorrem ausências temos um impacto grande na produção, porque ali está a nossa maior força de trabalho feminina. E as mães que deixam os filhos com parentes ou vizinhos já vêm trabalhar preocupadas, a produtividade não é a mesma. Para minimizar essa situação, fizemos uma parceria com uma creche próxima à empresa e custeamos 60 vagas para filhos de funcionários — explica a diretora de RH, Rochelli Kamisnki.

A Weg de Itajaí também está atenta à paralisação dos servidores. A prefeitura informou que o RH entrou em contato para obter um panorama da greve, número de adesões e previsão de término. O objetivo é repassar o problema aos diretores e relatar que os colaboradores podem ser afetados.

Na Saúde, 354 dos mais de 1,5 mil servidores aderiram à greve. Algumas unidades de saúde mantiveram 30% do atendimento, enquanto a UPA do Cordeiros e o PA do São Vicente funcionaram normalmente. Na área da segurança, 24 dos 95 agentes pararam o trabalho ontem. Já no Porto de Itajaí a adesão foi de 100% dos funcionários efetivos da administração — 17 servidores e dois guardas. No operacional, o percentual chegou a 50%.

Caminhada por valorização

Ao todo, 1,6 mil servidores paralisaram as atividades pela manhã e na parte da tarde, segundo a prefeitura. Por volta das 15h30min, o grupo que estava concentrado em tendas na frente do Executivo fez uma caminhada em direção ao Centro da cidade. Vestindo preto, os servidores carregaram faixas e cartazes pedindo mais valorização e a reposição salarial.

— Antes o prefeito não ofereceu nada de reajuste, ele esperou a gente se manifestar para dar 4%. Queremos pelo menos o índice da inflação e de preferência sem parcelamentos — diz a professora Ana da Silva.

A categoria reivindica ainda mais um terço sobre a hora de atividade, que eles reservam para o planejamento de aulas e outras atribuições. Os professores alegam que o tempo estabelecido hoje é curto para atender a demanda.

O prefeito Jandir Bellini (PP) fez uma nova proposta aos servidores ontem. Ofereceu 7% de reposição salarial dividido em duas parcelas: 4% em maio e 3% em novembro. Ele manteve ainda os 10,36% de aumento no vale-alimentação. O novo índice será apresentado aos grevistas em assembleia nesta quarta-feira, às 10h.

— Chegamos ao limite. Espero que haja compreensão do sindicato e dos servidores e que a partir de amanhã (quarta-feira) voltem aos seus postos. É um ganho bastante significativo, se considerarmos o momento que estamos vivendo — avalia o prefeito.

Conforme Bellini, os 7% oferecidos representam um acréscimo de R$ 3 milhões por mês na folha de pagamento e em torno de R$ 40 milhões no ano.

Como fica:

Funciona normalmente
UPA do Cordeiros, PA do São Vicente, Centro Médico de Referência do São Judas, Farmácia Central, Laboratório Municipal, Centro de Especialidades Odontológicas, Samu, sede da Secretaria de Saúde, Remédio em Casa e Vigilância Sanitária.

Funciona parcialmente
Unidades de saúde dos bairros Cidade Nova 2, Nossa Senhora das Graças, Espinheiros, Rio Bonito, Fazenda e São Vicente são as mais afetadas. A maioria dos CEIs funciona parcialmente, assim como Codetran, Semasa e o Porto.

Fechado: 
CEIs Dayana Maria de Souza, Henrique Marques e Laércio Malburg.

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