Confira as cinco hipóteses que explicam o aumento da incidência de águas-vivas em Santa Catarina - O Sol Diário
 
 

 
 

Verão 201717/01/2017 | 19h34Atualizada em 17/01/2017 | 19h34

Confira as cinco hipóteses que explicam o aumento da incidência de águas-vivas em Santa Catarina

Especialistas falam sobre fatores que podem influenciar o aumento de caravelas no litoral catarinense

Confira as cinco hipóteses que explicam o aumento da incidência de águas-vivas em Santa Catarina Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Para tentar entender o aumento do número de lesões por água-viva em Santa Catarina, que já ultrapassa os 43,5 mil casos somente nesta temporada e, portanto, é duas vezes maior do que neste mesmo período da temporada passada, o Diário Catarinense ouviu três especialistas. 

Além do oceanógrafo e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Charrid Resgalla Júnior, apontado como um dos maiores especialistas em cnidários — filo de animais aquáticos representado pelas hidras, água-vivas, corais e anêmonas-do-mar — do Estado, a bióloga do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina Taciana Mara da Silva Seeman e o comandante do 1º Batalhão Bombeiro Militar de Santa Catarina Helton de Souza Zeferino comentam o cenário. Confira as possíveis explicações para a maior presença de medusas e caravelas no mar catarinense: 

MAIS BANHISTAS

A primeira hipótese é a mais óbvia e está relacionada ao número de banhistas nas praias de Santa Catarina. Quanto mais pessoas no mar, como tem-se observado desde o início da temporada de verão, mais casos de envenenamento por água-viva serão notificados pelo Corpo de Bombeiros a partir dos salva-vidas. 

— Na verdade, a gente não sabe [sobre os fatores que estão influenciando]. É sempre aos fins de semana, quando tem mais gente nas praias e, consequentemente, vai ter mais casos. Uma coisa está atrelada à outra. O pessoal sempre se assusta. É um número alto, mas é uma coisa corriqueira. Tem acontecido nos últimos verões — tranquiliza Resgalla Júnior. 

ESPÉCIE DIFERENTE NO ESTADO

Apesar de a incidência de água-viva ser sazonal, neste ano há uma particularidade em Santa Catarina. A partir de um acompanhamento feito pelo Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Univali, foi constatada maior incidência dos cnidários no litoral Norte e, mais especificamente, de um tipo que até então não era comum no Estado: a Chysaora lactea (veja mais no quadro ao lado).

— Talvez tenham duas espécies de medusa [água-viva] que estejam causando envenenamento. Nos últimos anos, era principalmente a Olindia sambaquiensis. Mas a Chysaora lactea é uma espécie comum, conhecida no Paraná, porque vem do Norte pela corrente do Brasil, mas que nos outros verões não ocorria tanto por aqui — explica o oceanógrafo. 

CORRENTE MARÍTIMA E RECORTE DA COSTA

Devido à capacidade baixa de natação, as águas-vivas que envenenam banhistas são transportadas por correntes marítimas que, por sua vez, são influenciadas pelo vento. Geralmente, o vento Sul é quem movimenta as medusas. Ao passo que chegam a um balneário, as espécies podem ficar retidas, como aconteceu no último domingo na praia de Palmas, em Governador Celso Ramos, devido a três fatores principais: 

— Pode ser em função da corrente, da morfologia do fundo e do recorte da costa. Isso tudo influencia se o organismo vai chegar mais perto da praia — afirma o pesquisador da Univali.

A hipótese da tendência de migração das águas-vivas e de repetição das ocorrências em outras praias é reforçada pela bióloga do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina: 

— Pode acontecer porque as águas-vivas se movimentam com as marés. Elas podem estar tanto em correntes frias, quanto em quentes, depende da espécie — garante. 

VARIAÇÃO DA TEMPERATURA DA ÁGUA E TEMPESTADES

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina e a bióloga do CIT também ligam o aumento da temperatura da água do mar ao maior número de águas-vivas. 

— Todos os anos nós temos no verão uma multiplicação maior dos seres marinhos. Com o aumento da temperatura da água, há a proliferação e casos de queimaduras por água-viva. Isso associado às tempestades tropicais de fim de tarde de verão fazem com que elas se aproximem da costa — indica Zeferino. 

O pesquisador da Univali diz que esse fenômeno é observado em outras regiões do planeta, mas que não necessariamente é aplicado em Santa Catarina. 

— Generalizar é arriscado. Tem estudos indicando que a temperatura da água tem aumentado, mas não afirmaria isso como uma causa muito segura do aumento das medusas. Até pouco tempo atrás, eu poderia jurar que teriam poucas ocorrências de medusas nesse verão, porque nós tivemos um inverno muito rigoroso e isso poderia ter influenciado na reprodução delas. Mas estamos vendo que não. Tem muitos fatores atuando, precisa de mais investigação — completa Resgalla Jún. 

MENOS PREDADORES

A bióloga do CIT acredita que a diminuição das tartarugas possa influenciar no aumento de queimaduras por águas-vivas. 

— Tem a falta do predador natural das águas-vivas, que são as tartarugas. Elas estão diminuindo devido à pesca e à poluição nos mares — pontua Taciana, que lembra que o órgão estadual não dispõe de nenhum estudo sobre a situação, mas sim somente notificações por envenenamento.

ESPÉCIES MAIS COMUNS NO LITORAL DE SC

Olindias sambaquiensis 

É uma água-viva mais clara, podendo ter tons amarelados nos tentáculos. Tem a umbrella (parte arrendondada do animal) em forma de pires ou guarda-chuva com tentáculos na borda. Pode chegar a até 12 centímetros. Merece atenção, pois os nematocistos dos seus tentáculos causam irritações na pele dolorosas.

 Physalia physalis

Também conhecida como caravela portuguesa, possui um flutuador colorido, parecendo um balão inflado de cor azulada que pode medir até 30 cm. Os tentáculos distendidos podem ser bastante longos, com mais de 1 metro (podendo chegar até a 10 metros). Os nematocistos desta água-viva são altamente tóxicos, podendo causar queimaduras e lesões graves.

 Chrysaora Lactea 

Essa espécie não é comum no litoral catarinense, mas foi encontrada no Norte do Estado neste ano. Pode ter até 20 centímetros de diâmetro. Sua toxina é tênue, mas causa algum incômodo no local. 

 Fonte: Bióloga Norma Luiza Würdig e Agência Fapesp

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