"Logan Lucky - Roubo em Família" é o grande retorno de Steven Soderbergh - O Sol Diário

Coluna de Cinema12/10/2017 | 14h00Atualizada em 12/10/2017 | 14h04

"Logan Lucky - Roubo em Família" é o grande retorno de Steven Soderbergh

A ironia do diretor no filme não passa apenas pela família americana, como também entra nos sistemas presidiários, judiciários e grandes empresas. 

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

 

cena do filme Logan Lucky
Foto: Divulgação / ARP Sélection

Uma ótica bastante pessoal de Soderbergh é a vulgarização do capitalismo. O caos aventureiro de obras como Magic Mike, Onze Homens e Um Segredo e, em menor grau, Confissões de uma Garota de Programa – o menos desordenado. Quando um dos irmãos Bang aponta para o fato de que eles estão ferindo a América com seu "grande roubo", ele não está sendo tão cínico quando podemos supor. É um retrato fiel sobre o que é, de certa forma, o trabalho de Steven Soderbergh.

Assim, Jimmy Logan usando uma cueca com a bandeira americana enquanto recebe uma ligação sobre seu próximo roubo é tão interessante quanto todos emocionados ouvindo o hino e saudando a bandeira enquanto o personagem de Daniel Craig pontua com: "vamos explodir essa porra".

Na linguagem coloquial dos personagens de Soderbergh, a América não passa de um se aproveitando do outro, das fatias que o ouro é dividido e como o conglomerado sempre sai ganhando. Não há perdedores, na visão do cineasta, a não ser o contribuinte. A saída mais fácil para a crise econômica já havia sido trabalhada no excelente A Qualquer Custa, uma espécie de faroeste urbano com seu próprio código de honra.

Logan Lucky – Roubo em Família trilha um caminho mais tradicional, em seu redneck way of life. Ao contrário do social-comercial de A Grande Aposta, outra obra eloquente sobre as vítimas e sequelas da crise econômica, o filme de Soderbergh está interessado no trabalhador braçal e qual sua fatia na grande divisão do dinheiro na América.

Tratando todos seus personagens como idiotas sortudos, a ironia de Soderbergh não passa apenas pela família americana, como também entra nos sistemas presidiários, judiciários e grandes empresas. Todos mantém o ciclo vicioso que deixará meia dúzia de estúpidos felizes enquanto outros tantos continuam passando fome. Ainda que com dinheiro o suficiente para se manter para o resto da vida, eles frequentarão os mesmos pubs, beberão as mesmas coisas, conversarão com as mesmas coisas. Está tudo representado ali, nos balcões sujos da América.

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