Deic afirma que passa de R$ 20 milhões patrimônio de líder do tráfico preso em Palhoça - Segurança - O Sol Diário

Tráfico de drogas28/09/2012 | 06h02Atualizada em 28/09/2012 | 06h02

Deic afirma que passa de R$ 20 milhões patrimônio de líder do tráfico preso em Palhoça

Operação Pequeno Príncipe prendeu 12 pessoas em SC e Paraná

Deic afirma que passa de R$ 20 milhões patrimônio de líder do tráfico preso em Palhoça Diogo Vargas/Agencia RBS
Marquinhos morava em mansão na praia do Sonho, em Palhoça Foto: Diogo Vargas / Agencia RBS

A Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) estima em mais de R$ 20 milhões o patrimônio suspeito de Marcos Vieira Francisco, o Marquinhos, um dos 12 presos na Operação Pequeno Príncipe. A polícia pedirá à Justiça o sequestro dos bens, cuja maioria deles estaria no nome de laranjas.

Entre os bens estão três sítios, uma fazenda, duas casas e dois apartamentos. Uma das propriedades é um sítio em Santo Amaro da Imperatriz. O recanto tem piscina, é envidraçado, tem espaço para festas e fica numa colina.

O delegado Cláudio Monteiro, responsável pela investigação, afirma que Marquinhos está envolvido em lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, incluindo a compra e venda de sítios e de carros na Grande Florianópolis.

Os policiais têm informações que estaria construindo um prédio em São José e planejava comprar um helicóptero. Até agora, a operação apreendeu R$ 150 mil em dinheiro, 17 automóveis (maioria importado), duas caminhonetes, duas motos, três espingardas, sete revólveres, uma pistola e munição.

Na quinta-feira, a Deic apresentou 70 quilos de cocaína e 50 quilos de pasta base de cocaína apreendidos em uma carreta de Foz do Iguaçu este ano. A carga, conforme Monteiro, pertencia a Marquinhos e seu bando, e foi fornecida pelo traficante internacional Ruy Moraes Vieira, o Papito, que também foi preso na quarta-feira pela Deic, no Paraná.

Monteiro afirma que Marquinhos teria aproximação com o traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, preso desde 2008. Os dois chegaram a ser sócios de um lavacar no Pantanal, que não existe mais.

O delegado não quis comentar suspeitas de que Marquinhos teria tido a suposta proteção de policiais nos últimos anos, conforme o DC apurou com policiais civis da Deic.

A Deic deverá trazer de avião ao Estado nesta sexta-feira o traficante Papito, que está em Foz do Iguaçu, além da mulher dele, Lilian Beatriz Benites Vasque. A polícia afirma que Ruy seria fornecedores de drogas para os principais narcotraficantes brasileiros.

Pelo menos três pessoas ainda estão sendo procuradas por envolvimento com a quadrilha. Elas não tiveram os nomes divulgados.

Os crimes pelos quais deverão ser indiciados são tráfico e associação para o tráfico de drogas, porte ilegal de arma, lavagem de dinheiro, quadrilha e adulteração de sinais de veículos.

ENTREVISTA: Delegado Cláudio Monteiro, da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Deic.

Diário Catarinense - Quanto esses presos movimentaram com o tráfico de drogas?
Cláudio Monteiro -
Ainda não temos tudo quantificado. Acredito que apenas o Marquinhos tenha patrimônio de mais de R$ 20 milhões (eu seu nome e de laranjas). Só o sítio em Santo Amaro da Imperatriz vale mais de R$ 6 milhões.

DC - Há comprovação que é tudo do tráfico?
Monteiro -
Ele (Marquinhos) não tinha atividade lícita para ter um rendimento desse porte. Acumulou isso tudo numa vida inteira dedicada ao tráfico.

DC - Os bens foram sequestrados pela Justiça?
Monteiro -
Ainda não, mas vamos pedir ao final do inquérito. Estamos fazendo o levantamento.

DC - Como começou essa investigação?
Monteiro -
Surgiu há dois anos, quando nem tínhamos a dimensão que chegaríamos a tudo isso. Foi em cima de uma mulher presa com drogas, conhecida como Jupira e depois a Maria Mercedes, que foi presa pela Polícia Federal na operação Brasiguai e era uma das fornecedoras. Depois, o Marquinhos começou a pegar drogas com a Lilian e o Ruy.

DC - Qual a dimensão de Marquinhos no tráfico?
Monteiro -
É o maior traficante em atividade na Grande Florianópolis e um dos principais do Estado. Diversas pessoas compravam drogas dele, e não só para os morros.

DC - Foi a quadrilha dele a responsável pela morte de Suelen (Suelen Alves, morta na Beira-Mar Norte)?
Monteiro -
Temos essa suspeita obtida na investigação, mas não posso dar mais detalhes.

DC - Qual a participação do empresário Ernani Buss?
Monteiro -
Há fortes indícios da participação do Ernani no tráfico e lavagem de dinheiro. Há um sítio em nome do Ernani que era do Maurício, o Reto, irmão de Marquinhos. O Marquinhos também andava com uma Pajero que está no nome do Ernani.

CONTRAPONTO
O que diz a defesa de Marcos Vieira Francisco, o Marquinhos:
O advogado Marcos Aurélio de Melo afirma que não procede a informação da Deic que o seu patrimônio seria de R$ 20 milhões. "Não chega a esse valor, é bem abaixo", diz Melo. Sobre a suspeita de lavagem de dinheiro, disse que primeiro quer ter acesso ao inquérito para depois se manifestar. O advogado afirma que Marquinhos trabalha com revenda de carros e compra e venda de sítios.


DIÁRIO CATARINENSE

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