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Vácuo do crime19/10/2013 | 13h33

Ousadia custou a derrocada do PGC

Mesmo com dificuldade, organização controla bocas de fumo

Ousadia custou a derrocada do PGC Luciano Lellys/Jornal Omossoroense
Transferência dos líderes do PGC para prisão federal, em fevereiro Foto: Luciano Lellys / Jornal Omossoroense

A ousadia em bater de frente com o Estado custou um preço alto ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

As medidas do governo e a falta de capacidade da facção de responder às ações de combate fizeram com que ela perdesse credibilidade junto à massa carcerária catarinense, que deixou de cumprir os artigos do estatuto referentes ao pagamento de dízimos e o repasse de percentuais com os lucros nos crimes.

O abalo foi grande porque, como em qualquer setor, dinheiro é poder. O caixa afetado fez diminuir a influência sobre os criminosos presos ou na rua, levando menos gente a contribuir com o bando. Não que antes dos atentados o pagamento das mensalidades fosse cumprido religiosamente, mas agora a situação está bem pior.

O único serviço lucrativo que o PGC conseguiu manter foi o aluguel de armas para que bandidos cometam crimes. Mas como conta somente com pistolas, não gera recursos no volume necessário. A quantidade é tão insuficiente que as famílias que viajaram para visitar os parentes em Mossoró tiveram difilcudades para voltar a Santa Catarina.

Investigações da Polícia Civil também atrapalharam qualquer tentativa de reerguer a organização. Em julho, a Deic realizou uma operação que prendeu as pessoas responsáveis pelo fluxo de informações das cadeias para as ruas. Também foram identificadas e bloqueadas contas bancárias usadas pela facção.

As dificuldades não significam que o PGC está próximo da extinção. Mesmo em menor quantidade, a organização ainda tem bocas de fumo na faixa litorânea que vai de Criciúma a São Francisco do Sul. E se faltou organização para que se reerguesse após os atentados, a facção ainda é mais numerosa em número de filiados do que as rivais tentam tomar o lugar dela.

Estima-se que hoje 1,2 mil homens, mulheres e adolescentes integrem o PGC. A ofensiva para acabar com ele está no caminho certo, mas o trabalho não pode ser considerado concluído.

O que mudou em um ano

RDD em Santa Catarina

Para manter isolado no próprio Estado presos que praticam faltas graves ou que participem de facções criminosas, o governo havia anunciado a intenção de construir uma penitenciária com Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

A medida não evoluiu, embora o governador Raimundo Colombo tenha declarado recentemente que o projeto se mantém vivo. O governo também não consegue construir nova penitenciária, como a prevista em Imaruí, no Sul do Estado, por recusa de embate com a prefeitura. Hoje, dos 40 criminosos que haviam sido transferidos, 28 seguem no RDD e 12 retornaram para Santa Catarina.

Agentes penitenciários

Efetivo reduzido, falta de condições físicas ideais de trabalho e casos de problemas de saúde são alguns dos pontos que seguem na rotina de agentes penitenciários em Santa Catarina.

Após o assassinato da agente Deise Alves, aumentou o clima de tensão, o que deixou servidores acuados. Há reclamações de pouca quantidade de coletes, de armas pesadas e que há viaturas velhas à disposição do sistema prisional. Há 1,6 mil agentes trabalhando, quando o ideal seria pelo menos o dobro.

Uso de celulares

A Secretaria da Justiça e Cidadania afirma que o Estado não tem como arcar financeiramente com os custos dos bloqueadores de celulares necessários para abranger as 50 unidades prisionais.

Com isso, ainda a comunicação de presos por meio telefônico ainda ocorre com frequência. A Polícia Civil afirma que há detentos falando aos celulares nos presídios catarinenses, o que facilita a ação do crime organizado de dentro e fora das cadeias.

Gestão prisional

No quartel-general do PGC, houve mudança na direção da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, que desde maio tem à frente o agente Edemir Alexandre Camargo Neto.

A aposta se fez pela necessidade de melhorar o estilo de administrador no lugar, palco de denúncias de tortura e que abrigava os líderes da facção. Há obras em andamento no pátio de sol e nas oficinas de trabalho.

Revistas íntimas

Caminha a passos lentos a construção de novos espaços para as revistas de familiares nas entradas das unidades prisionais. O objetivo é abrir locais dentro das cadeias com recursos tecnológicos (scanners) no lugar dos procedimentos vexatórios feitos hoje, que causam insatisfação de detentos e familiares.

Houve recente decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina liberando a revista íntima, cujo procedimento chegou a ser proibido pela Justiça em Joinville. Outra reivindicação é a construção de parlatórios nas prisões, que ainda não foi totalmente concluída.

Ação policial

Umas das equipes que monitoram tentativas de criação de facções é a Divisão de Repressão a Crime Organizado (Draco) da Deic. Nem todos os integrantes são os mesmos que investigaram o PGC.

Relatórios diários são feitos e analisados de forma integrada. Mensagens rotineiras de criminosos tentando tumultuar o ambiente são detectadas. A Draco foi criada após a segunda onda de atentados.

DIÁRIO CATARINENSE

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