Polícia Federal deflagra operação para coibir fraude no processamento de pescados no Litoral Norte - Segurança - O Sol Diário
 
 

 
 

Poseidon10/04/2014 | 10h58Atualizada em 10/04/2014 | 22h06

Polícia Federal deflagra operação para coibir fraude no processamento de pescados no Litoral Norte

Agentes estão cumprindo mandados em empresas de Itajaí, Itapema e Navegantes

Polícia Federal deflagra operação para coibir fraude no processamento de pescados no Litoral Norte Rafaela Martins/Agência RBS
Estão sendo cumpridos sete mandados de busca e apreensão Foto: Rafaela Martins / Agência RBS

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira a operação Poseidon em Itajaí, Itapema e Navegantes. A ação tem como finalidade coibir fraudes no processamento de pescados por empresas da região.

As empresas investigadas — Costa Sul Pescados, Indústria e Comércio de Pescados Dona Rose, JMS Indústria e Comércio de Pescados, Pescados Quatro Mares, Leardini Pescados, M.S. Luzitania e Vitalmar — são suspeitas de comprar peixes de uma determinada qualidade, processar e vender os produtos como sendo de peixe de valor comercial mais alto, além de industrializar espécies em extinção capturadas ilegalmente.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Enquanto era feita a diligência, nesta quinta-feira, as empresas investigadas ficaram fechadas. Durante o cumprimento dos mandados foram recolhidas amostras de pescados para análise. A operação ocorre em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Investigação

As investigações começaram há cerca de seis meses depois que a PF recebeu informações de que empresas da região estariam adquirindo o pescado ilegal, promovendo a beneficiamento e posterior comercialização, rotulando o produto com nome diverso. O Mapa também verificou que algumas empresas costumavam ser alvo de autuações administrativas por conta da troca de espécies na rotulagem do produto.

A Polícia Federal destaca que em Santa Catarina estão instalados 80 dos 326 estabelecimentos sob Inspeção Federal do Brasil, e entre eles estão as maiores empresas processadoras nacionais de peixe congelado. Também aqui no Estado se concentram os maiores volumes de processamento de espécies importadas, seja como importações para venda direta, seja para fracionamento e reembalagem, e nessas espécies são observados os casos mais frequentes de troca de peixes.

Contrapontos

Costa Sul Pescados: A reportagem tentou contato por telefone com a Costa Sul por diversas vezes durante a tarde desta quinta. Duas vezes um funcionário atendeu ao telefone. Na primeira ele informou que o setor administrativo estava ocupado e na segunda disse que o expediente havia encerrado.

Indústria e Comércio de Pescados Dona Rose: A proprietária da Dona Rose, Sabrina Miranda, relatou que os fiscais do Mapa e a Polícia Federal fizeram uma varredura na empresa, mas que isso é praxe nas peixarias da região. Ela nega qualquer acusação sobre troca de espécies e explica que acha importante que haja fiscalização. A empresária afirmou ainda que os fiscais ficaram na empresa das 11h até o fim da tarde de quinta.
– Nós estamos super tranquilos, eles fazem isso com várias empresas. Só não achei certo fecharem nossa peixaria, pois no documento que recebemos diz que eles não poderiam ter feito isso, apenas fiscalizado a parte da indústria – ressalta.

JMS Indústria e Comércio de Pescados: O advogado da JMS, Flávio Fraga, afirmou que a empresa vai esperar o inquérito da Polícia Federal para se manifestar.
– A gente não sabe o teor da acusação. Vamos aguardar antes de nos pronunciar – comenta.
Sobre a denúncia de troca de espécies, ele disse que isto jamais aconteceu.

Pescados Quatro Mares: O advogado da Quatro Mares, Flávio Fraga, informou que a empresa vai aguardar o inquérito da Polícia Federal para se manifestar:
– A empresa foi pega de surpresa, não tem conhecimento da operação e nunca foi intimada para prestar esclarecimentos sobre esse assunto.

Leardini Pescados: A Leardini informou que ninguém iria se pronunciar no momento.

M.S. Luzitania: A reportagem tentou contato com a M.S. Luzitania por diversas vezes durante a tarde desta quinta, mas ninguém atendeu as ligações.

Vitalmar: O diretor da Vitalmar, Dario Vitali, afirmou que as denúncias são improcedentes. Segundo ele, o segmento já vem há anos fazendo investimentos e estudos para legalizar determinadas situações e nunca foi ouvido. O diretor também relatou que foi pego de surpresa e que vai apurar os fatos.
– As denúncias são todas improcedentes, pois a empresa nunca buscou tirar vantagem, isso não faz parte da nossa conduta – explicou.

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