Conheça o perfil do ex-soldado dos EUA suspeito de mortes em Florianópolis - Segurança - O Sol Diário
 
 

Na mira da polícia21/05/2015 | 07h05Atualizada em 21/05/2015 | 17h28

Conheça o perfil do ex-soldado dos EUA suspeito de mortes em Florianópolis

Americano, como é conhecido o nativo da Ilha de SC, teria treinado criminosos no Estado

Conheça o perfil do ex-soldado dos EUA suspeito de mortes em Florianópolis Divulgação/Brigada Militar
Herold: ex-militar está sendo investigado pela Polícia Civil de Florianópolis. Foto: Divulgação / Brigada Militar

A imagem do imponente soldado americano com a roupa camuflada empunhando um fuzil se contrapõe a outra em que a mesma pessoa está com as mãos para trás, acuada e perfilada na parede, na clássica fotografia tirada por policiais durante os procedimentos de uma prisão.

O personagem que estampa as duas cenas é David Beckhauser Santos Herold, 26 anos, conhecido como Americano e que na verdade é um brasileiro nativo de Florianópolis.

Ex-soldado dos EUA tem prisão decretada por morte em Florianópolis

Preso em flagrante no Rio Grande do Sul no dia 30 de abril por tráfico de drogas, o ex-soldado do exército dos Estados Unidos virou alvo de uma série de suspeitas de crimes graves na capital catarinense, entre os quais estão execuções de traficantes que controlavam alguns dos mais movimentados pontos de drogas, no Morro do 25 (região da Agronômica) e Costeira (sul da Ilha).

O que a polícia e também o Ministério Público ainda não conseguiram esclarecer são as razões que supostamente o levaram ao mundo do crime. A defesa afirma que ele é inocente, de família tradicional e que a embaixada norte-americana acompanha o caso.

Após ser preso num sítio em Viamão, no Rio Grande do Sul, com drogas, Herold foi encaminhado para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), em que estão os principais criminosos do Estado vizinho.

Davidzinho, como é chamado por parentes e amigos, mora com familiares na região do Riozinho, no Campeche, no sul da Ilha. Pessoas que conviveram com ele afirmam que o jovem tem aparência calma, fala tranquila e não usa drogas. O Diário Catarinense localizou um familiar dele, que disse estar muito abalado e preferiu não dar entrevista.

Suspeito de dois homicídios

A passagem de Herold pelos Estados Unidos deu-se entre 2008 e 2013. Ele foi para o exterior por causa da mãe, que é casada com um norte-americano.

Ao completar 18 anos, serviu ao exército dos EUA e em 23 de setembro de 2011 chegou a ser promovido de soldado para sargento. Teria atuado em dois períodos de guerras no Afeganistão.

A saída do exército, segundo o advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, deu-se em razão de uma lesão física.

Herold então voltou para SC e trabalhava com a família no Riozinho. Os relatos dados por conhecidos em depoimentos à Justiça o apontam como um homem que nunca se envolveu em crimes e que não teria voltado com traumas ao Brasil em razão das participações nas guerras, conforme disseram à reportagem alguns policiais.

A defesa do ex-soldado diz que o rapaz vive sem sequela emocional e não se envolveu com criminosos.

Herold responde pelo assassinato de Thiago Polucena de Oliveira, 24 anos, morto no Morro do 25, em Florianópolis, no dia 26 de março de 2014.

Ele também tem prisão decretada por tráfico de drogas e é suspeito de participar da morte do traficante Tiago Cordeiro, o Calcinha, em 2 de abril, em um posto de combustíveis na Costeira.

Promotoria organiza dossiê sobre ações de Herold no Sul

Em documentos a que o Diário Catarinense teve acesso, a Delegacia de Homicídios afirma que Herold ministrava treinamento para uso de arma de fogo a criminosos que seriam do Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

No celular apreendido durante a prisão dele no Rio Grande do Sul, a polícia encontrou fotos em que ele posa com armamento. Numa das imagens, ele carrega quatro armas, sendo duas pistolas na cintura, uma na mão esquerda e uma arma longa na mão direita.

O porte físico alto, a habilidade militar e o modo como carrega a arma seriam alguns dos indícios dos crimes pelos quais é suspeito.

Um dos promotores que atua na Vara do Júri de Florianópolis, Wilson Paulo Mendonça Neto faz um dossiê sobre Herold, mas ainda não tem a resposta do motivo do envolvimento criminoso.

Ex-soldado americano preso no RS é suspeito de mortes em Florianópolis 

Julgamento ainda em 2015

— Temos fortes elementos que apontam para participações dele (morte de Thiago Polucena de Oliveira) e esperamos que seja levado a julgamento ainda neste ano — diz o promotor.

Ele acredita que as prisões possam revelar o traço da personalidade do rapaz e afirma que Herold e comparsas também foram condenados por um furto a banco no dia 6 de janeiro de 2014, no centro de Florianópolis.

O responsável pela Delegacia de Combate às Drogas, Antônio Cláudio Seixas Joca, vai pedir a prisão preventiva dele.

O motivo é uma digital de Herold encontrada em uma apreensão de 13 quilos de maconha no dia 28 de agosto de 2014 em Areias do Campeche.

Naquele dia, três homens foram presos em flagrante. Um deles, conforme o delegado Joca, é Carlos Eduardo Goes, o Caco, um dos presos com Herold no Rio Grande do Sul.

As mortes suspeitas

Thiago Polucena de Oliveira – Morto no dia 26 de março de 2014, às 6h30min, na Servidão Antônio Monteiro, Morro do 25.

Diz a denúncia do Ministério Público que David Beckhauser Santos Herold e André Vargas Pinto, vestidos com roupas pretas, como se fossem policiais, em companhia de outros elementos não identificados, portando armas de fogo, fizeram diversos disparos em local habitado e mataram a vítima Thiago Polucena de Oliveira e ainda atentaram contra a vida de Leonardo Polucena de Oliveira, que não morreu.

Os atiradores alegaram que eram policiais civis, invadiram a casa e cercaram as vítimas, que estavam dormindo com seus familiares. A motivação seria o comando do tráfico de drogas no Morro do 25 (Agronômica).

Tiago Cordeiro, o Calcinha – Morto no dia 2 de abril de 2015, às 20h16min, em um posto de combustíveis na Costeira.

Considerado homem de confiança do traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, Calcinha foi morto a tiros assim que chegou ao posto para comprar gelo em sua BMW. Estava com um amigo.

Dois homens em um Gol prata com dois homens pararam no posto e seguiram Calcinha até a loja de conveniência. Ali, dispararam sete tiros contra ele. Calcinha morreu no local e os dois homens fugiram. A polícia suspeita que a execução seria a mando do tráfico para a tomada de ponto de drogas.

Após fuga e perseguição, gerente do tráfico da Costeira, em Florianópolis, é preso pela Polícia Militar

DIÁRIO CATARINENSE

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