Foragidos de SC pela Interpol podem estar no Paraguai e EUA - Segurança - O Sol Diário
 

Pistas20/06/2016 | 19h10

Foragidos de SC pela Interpol podem estar no Paraguai e EUA

Silvana Seidler, de Tubarão, e Oswaldo Paz de Almeida Junior, estão entre os 10 criminosos mais procurados do Brasil pela PF e Interpol.

Foragidos de SC pela Interpol podem estar no Paraguai e EUA Interpol/Divulgação
Foto: Interpol / Divulgação

O Paraguai pode ter sido o destino de Silvana Seidler, 49 anos, e os Estados Unidos o de Oswaldo Paz de Almeida Junior, 64, os dois foragidos de Santa Catarina que figuram na lista dos 10 criminosos mais procurados no Brasil pela Polícia Federal e a Interpol.

As suspeitas são de policiais civis catarinenses e constam em informações repassadas ao Judiciário sobre o destino dos dois, considerados os principais foragidos internacionais por ser grande a possibilidade de terem deixado o país para se livrar da prisão.

Silvana Seidler, moradora de Tubarão, Sul de SC, é suspeita do assassinato da própria filha, Carol Seidler Calegari, sete anos, em 22 de dezembro de 2014. A menina foi morta pela asfixia por esganadura e o corpo colocado dentro de uma caixa de papelão em um quarto da casa.

Um experiente delegado que atua no Sul ouvido pela reportagem afirma que as suspeitas da polícia são que Silvana estaria escondida no Paraguai, para onde conseguiu escapar depois de ter supostamente recebido orientações sobre como fugir.

Carol Seidler foi encontrada morta em caixa de papel no quarto de casa, em Tubarão. Foto: Reprodução / Facebook

O policial afirma que Silvana trabalhava em negócio próprio da família e tinha condições financeiras para obter sucesso na escapada. A facilidade de acesso pelo país vizinho, seja pela ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este ou em outras partes de fronteira seca como em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, são alguns dos fatores levados em conta.  Natural de Porto Alegre (RS), Silvana tem prisão preventiva decretada por homicídio pela Justiça catarinense, mas ainda não foi julgada.

Já o comerciante Oswaldo Paz de Almeida Junior, 64 anos, natural de Itajaí, pode estar escondido nos Estados Unidos. Essa pista está no processo onde foi condenado a 28 anos de prisão por abusos sexuais contra os filhos — Oswaldo é acusado de abusos sexuais contra duas filhas, sendo uma portadora de deficiência física.

Foto: Interpol / Divulgação

Estado não tem delegacia de capturas

Santa Catarina não tem delegacia da Polícia Civil específica para a captura de foragidos, diferentemente de outros Estados como Rio Grande do Sul e Paraná. Descobrir o paradeiro de criminosos fugitivos cabe à própria delegacia que apurou o crime, o que nem sempre é possível — dados recentes divulgados pelo Diário Catarinense indicam que há mais de 11 mil pessoas com prisão decretada no Estado nas ruas.

Delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em SC, o delegado Ildo Rosa acredita que a criação de uma estrutura dedicada a encontrar criminosos e prendê-los se faz necessária.

Ao divulgar a lista dos 10 criminosos mais procurados, a PF informou que bateu o recorde de prisões de foragidos internacionais em 2015 com 56 capturas e uma das razões foi a criação de um grupo especial de capturas na instituição. O outro fator atribuído é o sistema que fornece informações antecipadas dos passageiros que chegam ao Brasil por via aérea.

A Secretaria de Segurança Pública de SC informou que abrir a delegacia de capturas no Estado já esteve entre os seus planos, mas a iniciativa esbarrou na falta de efetivo policial.

Para o professor de Direito Penal e especialista em criminologia, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, a divulgação de pessoas foragidas e condenadas em redes sociais é uma ótima ferramenta e informação de utilidade pública, mas abrir uma delegacia específica para prender foragidos não deve ser prioridade em SC diante da defasagem de policiais em outras delegacias existentes encarregadas de apurar crimes graves.

— Com esse efetivo atual ficaria difícil abrir, diria até que é desnecessário. O ideal seria ampliar a investigação de outras delegacias — pensa Alceu.

Denuncie:

Polícia Federal: procurados@dpf.gov.br ou 61 99262-8532 (WhatsApp)

Polícia Civil: 181

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