"A inteligência sabe que não faço parte", diz Rodrigo da Pedra no julgamento dos atentados em SC - Segurança - O Sol Diário

Segurança23/08/2016 | 12h51Atualizada em 23/08/2016 | 13h17

"A inteligência sabe que não faço parte", diz Rodrigo da Pedra no julgamento dos atentados em SC

É a 2ª etapa de interrogatórios do processo que julga 62 pessoas pelos atentados nas ruas de Santa Catarina entre setembro e outubro de 2014

"A inteligência sabe que não faço parte", diz Rodrigo da Pedra no julgamento dos atentados em SC Diorgenes Pandini/Agência RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agência RBS

Por 30 minutos, o depoimento do traficante Rodrigo de Oliveira, o Rodrigo da Pedra, do Morro do Horácio, foi o mais longo entre os três realizados na manhã desta terça-feira na audiência dos atentados em SC. O julgamento ocorre em Florianópolis. Ele alega que não faz parte dos ataques. Esta é a segunda etapa de interrogatórios do processo que julga 62 pessoas pelos atentados nas ruas de Santa Catarina entre setembro e outubro de 2014. 

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Diferentemente das audiências das testemunhas no mês passado, desta vez o juiz Rafael Bruning permitiu o acesso de jornalistas durante os trabalhos, no salão de júris do Fórum do Centro. A única ressalva foi proibir filmagens e fotos dos rostos dos réus. Até outubro devem ser colhidos depoimentos de todos os acusados, entre eles os de acusados que estão em prisões federais por videoconferência.

Estão no espaço 14 presos com uniformes laranjas, os pés e as mãos algemados, sentados no plenário. O juiz começou pontualmente às 9h com explicações gerais sobre como funcionariam os trabalhos. Um preso está em Minas Gerais e não foi transferido para SC.

Cada um dos 14 detentos teve direito de entrevista reservada com a defensora pública Fernanda Rudolfo, que cuida da defesa de 10 réus, ou com advogado. Na segurança estão 20 agentes penitenciários com fuzis posicionados pelo ambiente. Do lado de fora ficam PMs e agentes.

Ao perguntar aos presos se havia dúvidas, o detento Maicon Januário declarou que gostaria de saber o nome do juiz, pois até então não sabia, o que foi rapidamente respondido pelo magistrado. Depois, os presos foram retirados do salão e levados para uma sala, sendo trazidos um por vez para o depoimento, que é individual.

O último interrogatório pela manhã foi de Rodrigo da Pedra. O juiz indagou primeiro questões pessoais e sociais e após sobre o suposto envolvimento dele no crime.

Rodrigo disse que estudou até a quinta série e acabou os estudos na prisão em Mossoró, no Rio Grande do Norte, para onde haviam sido levados os líderes da facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Afirmou trabalhar como copeiro até ser preso, há dez anos, que é pai de cinco filhos, sendo um deles assassinado em Palhoça.

Foto: Diorgenes Pandini / Agência RBS

Líder do Horácio nega envolvimento

Rodrigo disse que largou o tráfico desde 2008 e negou fazer parte do PGC ou figurar na liderança do bando que ordenou ataques:

— Tinha acabado de chegar ao Estado (estava preso em Campo Grande) e me botaram como do segundo ministério (do PGC). A inteligência sabe que não faço parte, mas botaram né.

O preso relatou que todos os ataques começaram em razão da morte da agente penitenciária Deise Alves, mulher do então diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, Carlos Alves. Sobre os três anos e cinco meses que ficou preso em Mossoró, disse que permaneceu em cela individual e que tinha visitas virtuais e de familiares, mas sem contatos e todas as conversas eram filmadas.

O promotor Wilson Paulo Mendonça Neto perguntou se Rodrigo sabia da existência de uma casa em Mossoró supostamente mantida pelo PGC. Rodrigo respondeu que sabia da existência do lugar, que havia pessoas que ficavam lá, mas que não as conhecia.

— Tem gente que fica lá, mas não conheço.

Há 50 dias, Rodrigo está preso novamente em São Pedro de Alcântara.

Também foram interrogados pela manhã os detentos Mateus Cristiano Pasetti Palhano, conhecido como Pelé, de Itajaí, e Valter Leandro Schutel, conhecido como ".30" ou "Alemão", de Blumenau. Os dois negaram ser do PGC, os apelidos e ainda de participar dos ataques ou ordens criminosas.

O juiz também questiona aos detentos sobre conexões da facção catarinense com facções de outros Estados como Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, e Família do Norte, do Norte do País. Os ouvidos disseram desconhecer a suposta associação.

Tatuagens

As tatuagens dos presos são outros pontos abordados durante os depoimentos. O preso Valter Schutel disse ter tatuado no corpo a frase "crime é necessidade".

— Parei de estudar e acabei me envolvendo. Mas larguei o crime, quero sair, trabalhar e cuidar da minha mãe — respondeu ao juiz.

Houve intervalo às 11h30min, com reinício da sessão às 13h, seguindo até o começo da noite. Há expectativa que 14 presos sejam ouvidos nesta terça-feira. 

Entre eles estão Gian Carlos Kazmirski, apontado como um dos mandantes do assassinato da agente Deise Alves em 2012, Leoncio Joaquim Ramos, Renê Augusto Rocha, Robson Vieira, Sebastião Carvalho, Valmir Gomes, Valcir Tomaz, Geovani dos Santos, Reginaldo de Moraes Nocetti e Maicon de Oliveira Januário.

Foto: Diorgenes Pandini / Agência RBS

Leia também:
Justiça interroga 14 pessoas acusadas pelos atentados de 2014 no Estado 

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