Assaltos crescem 7,5% entre janeiro e julho em Santa Catarina - Segurança - O Sol Diário

Segurança SC08/08/2016 | 07h11Atualizada em 08/08/2016 | 15h29

Assaltos crescem 7,5% entre janeiro e julho em Santa Catarina

Estado registrou 757 delitos a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Assaltos crescem 7,5% entre janeiro e julho em Santa Catarina Marco Favero/Agencia RBS
Moradores do bairro Ingleses, em Florianópolis, fizeram manifestação na sexta-feira para cobrar segurança Foto: Marco Favero / Agencia RBS

As queixas de moradores e comerciantes sobre uma possível onda de assaltos em Florianópolis compõem um universo de preocupação estadual demonstrado nas estatísticas oficiais da segurança pública: houve aumento de 7,5% nesse tipo de delito, em que há uso de violência contra a vítima.

Os dados são do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) da Polícia Civil entre janeiro e o dia 28 de julho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2015. Eles fazem parte de informes que abastecem diariamente as autoridades policiais para o mapeamento de ações e metas no enfrentamento da violência no Estado.

Segurança SC: saiba tudo sobre a causa adotada pelo DC

Segundo o relatório a que o DC teve acesso, foram 10.906 roubos até julho deste ano contra 10.149 nos sete primeiros meses de 2015. Ou seja, quase 800 casos a mais. Abrangem todos os tipos de assaltos: a pessoas nas ruas, em veículos, residências, comércios ou de cargas. Um dos últimos assaltos ocorreu na madrugada deste domingo, em uma lotérica anexa ao supermercado Angeloni do bairro Capoeiras, em Florianópolis.

Os criminosos, que conseguiram escapar, invadiram o local com um carro, que derrubou a parede, e roubaram um cofre da Brincs. Os valores levados não foram divulgados. A mesma casa lotérica já havia sido assaltada em fevereiro de 2015, quando ladrões invadiram o local fora do horário de funcionamento e esvaziaram os caixas.

Armamento pesado assusta empresário

Proprietário de um restaurante há 25 anos em Santo Antônio de Lisboa, o empresário Fausto Andrade, 66 anos, ficou paralisado ao ver dois homens invadirem o lugar com uma arma longa e um revólver na noite do dia 3.

– Havia clientes que logo tiveram armas apontadas para a cabeça. Os ladrões levaram uma Tucson de um cliente. Estamos todos apavorados em Santo Antônio, Cacupé, os restaurantes, farmácias, mercados, lojas. A PM faz um trabalho fantástico, vem rápido, mas precisa estar sempre aqui, num posto, visível permanentemente – ressalta Andrade, que integra o Conselho de Segurança (Conseg) local.

Um corretor de imóveis de 27 anos, que prefere não se identificar, foi assaltado por dois ladrões em plena tarde, na semana passada, dentro de uma loja no bairro Ingleses, no Norte da Ilha de SC.

– Entraram de capacete e mandando todos irem para os fundos. Faziam ameaças e diziam que iriam nos matar. Só pensava na minha filha e na minha esposa e por isso não reagi. Toda hora isso vem na cabeça, o psicológico fica abalado – diz o homem, que teve R$ 1,6 mil de uma indenização que mantinha na carteira roubados.

Especialista em criminologia e professor de Direito Penal, o professor Alceu Pinto de Oliveira Júnior afirma que os 7,5% a mais de roubos podem significar um problema de aumento da violência, caso as estatísticas não apontem que houve paralelamente maior número de prisões e apreensões por tráfico de drogas pela polícia.

– Geralmente os envolvidos em tráfico de drogas partem para a recapitalização nos roubos quando há aumento de prisões e apreensões. Também é possível termos reflexos causados pela crise, desemprego, impunidade, falta de policial. O policiamento ostensivo menor, com menos policiais e viaturas em razão do orçamento, aumenta a sensação de insegurança – analisa Alceu.

A Polícia Militar de SC afirmou, por meio do setor de Comunicação, que permanece atuando em conjunto com a comunidade dos Ingleses, a qual tem manifestado publicamente apoio em relação aos serviços prestados pela corporação. Sobre videomonitoramento e dados estatísticos divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a PM disse que esses assuntos devem ser tratados juntos da própria secretaria.

Casos recentes na Capital

Arrastão em ônibus
Ladrões entraram em um ônibus municipal no bairro Rio Vermelho, por volta de 21h30min do dia 3, e levaram pertences de todos os passageiros, além do dinheiro do cobrador. Na fuga roubaram uma Saveiro. Esse tipo de ação não é comum em Florianópolis, conforme policiais.

Simulação de acidente
Tática frequentemente usada em grandes metrópoles brasileiras, a simulação de um acidente para em seguida assaltar a vítima aconteceu também em Florianópolis na noite do dia 3, por volta de 1h, no Rio Tavares. Uma mulher que retornava do aeroporto teve o carro batido na traseira por outro em movimento. Quando ela saiu os bandidos a renderam, assim como outro ocupante, e os levaram num sequestro relâmpago até a praia do Moçambique.
ataques

Ao comércio
São os roubos frequentes a bares, lojas e estabelecimentos comerciais. Os ladrões geralmente usam armas e estão em motos e de capacetes. Nesse cenário houve dois ataques a supermercados no sul da Ilha (Rio Tavares e Carianos, nos dias 29 e 30 de julho). Num deles, um dos assaltantes apareceu nas câmeras agredindo uma funcionária com chute após apanhar o dinheiro dos caixas.

Moradores e comerciantes dos Ingleses, no norte da Ilha, fazem protestos desde sexta-feira por mais segurança e dizem que as câmeras de policiamento da PM nas ruas não estão funcionando.

Sobre a manifestação dos moradores nos Ingleses, o secretário da SSP, César Grubba, respondeu por meio da assessoria de imprensa como ele pretende atender a reivindicação por mais segurança: "trabalhar, trabalhar, trabalhar".

Foto: Marco Favero / Agencia RBS


 

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