Criminalidade toma conta do dia a dia de Blumenau - Segurança - O Sol Diário

Segurança17/09/2016 | 12h16

Criminalidade toma conta do dia a dia de Blumenau

Roubo a uma joalheria em shopping e mortes de pessoas carbonizadas despertaram maior preocupação com segurança pública

Criminalidade toma conta do dia a dia de Blumenau Giovanni Silva/Divulgação
Operação Saturação, realizada pela Polícia Militar no início desta semana em Blumenau Foto: Giovanni Silva / Divulgação

Dois homens entram armados com duas pistolas na relojoaria de um shopping da região central por onde costumam circular jovens casais, pais e filhos, avós e netos. Na noite anterior, dois corpos são encontrados em um carro incendiado às margens de uma estrada do interior. Um morador de rua morre carbonizado na calçada, com fortes suspeitas de homicídio. Quando situações como essas se concentram em um período de menos de 48 horas não é exagero afirmar – independente das estatísticas – que a sensação de insegurança causa tensão sobre Blumenau.

Os crimes registrados entre quinta e sexta-feira têm diferentes perfis no entendimento da Polícia Militar. Alguns, inclusive, divergem do que costuma ser o padrão das ocorrências registradas na cidade. Um exemplo é a morte do morador de rua Jorge William Galvão de Almeida, 22 anos, queimado enquanto dormia na calçada da Rua XV de Novembro, ao lado do Grande Hotel Blumenau. A investigação suspeita de que a morte tenha sido um homicídio, cometido por pelo menos três suspeitos.

Para o comandante da PM de Blumenau, tenente-coronel Jefferson Schmidt, confirmada a suspeita inicial, o caso tem como possíveis autores pessoas que não vivem da criminalidade e que podem ter sido movidos por circunstâncias. Para o tenente-coronel, ainda que a motivação não seja conhecida, o perfil é de crime passional, quando pessoas são influenciadas pela emoção, na hora do ato, o que dificulta as ações de prevenção.

Já no caso dos corpos encontrados carbonizados em um automóvel Corsa na Rua Johann Findeiss, no bairro Testo Salto, em Blumenau, na noite de quinta-feira, a possibilidade de relação com outros casos de criminalidade atendidos pelas equipes da PM e Polícia Civil é considerada maior. Isso porque as poucas informações preliminares obtidas apontam que um veículo parecido com o incendiado estaria envolvido em outras ocorrências. Com isso, há a suspeita ainda não confirmada de uma possível desavença com criminosos que tenha resultado nas mortes.

Perfil diferente de outros roubos

Schmidt reconhece que a cidade enfrenta um aumento de criminalidade, mas pontua que esse fenômeno é sentido em pequenos roubos e furtos. Em geral, nesses casos os autores costumam decidir o que roubar quando percebem a oportunidade, seja em um estabelecimento com poucos clientes ou em um caixa localizado perto da porta, que pode facilitar uma fuga.

Características diferentes do roubo que impressionou a população nesta sexta-feira. Por volta das 11h30min, dois homens armados com uma pistola modelo 638 e outra nove milímetros assaltaram a Joalheria Sandra Duwe, no Shopping Neumarkt, no Centro. Os homens tentaram fugir, mas foram interceptados por policiais, que prenderam dois dos três suspeitos na Rua Padre Jacobs, a poucos metros do centro comercial, minutos após o crime.

O comandante da PM argumenta que, ao contrário da maioria dos roubos vistos na cidade, o assalto desta sexta foi planejado. Os bandidos teriam visitado a relojoaria dias antes e observado o ambiente para efetuar o crime. Os suspeitos seriam da região de Florianópolis e, na visão do tenente-coronel, optaram por um crime de alto risco por contar com a perspectiva de impunidade.

— Este crime, que teve uma pronta resposta da nossa equipe, muito bem-sucedida porque fizemos as prisões e não houve um disparo sequer, destoa dos atuais roubos que temos porque tudo leva a crer que eles queriam vir aqui, fazer um roubo grande e ir embora. É diferente dos autores que roubam e se escondem na cidade, são moradores daqui, muitas vezes figurinhas carimbadas — avalia Schmidt.

Para comandante, mudança na legislação é questão urgente

O risco representado pelas abordagens de roubo faz com que boa parte do trabalho policial seja dedicada a evitar esse tipo de ocorrência. As estratégias são operações como a Saturação, feita pela última vez na terça-feira e que resultou na prisão de um jovem de 19 anos por tráfico de drogas e outro homem por adulteração de veículo.

Essas ações em determinados períodos são focadas em setores como a Região Sul e, mais recentemente, a Região Norte, quando há aumento nos indicadores de criminalidade nestes pontos. O comandante da PM explica que esse trabalho costuma resultar em apreensão de armas, drogas e carros roubados e, com isso, permite diminuição de roubos e furtos, que são vistos com preocupação.

— Tanto o bandido que aproveita a oportunidade quanto o que planeja o roubo para nós representa uma grande periculosidade pelo contato próximo que nesses casos eles têm com a vítima e a possibilidade de que ela perca a vida em alguma reação ou confronto, porque eles não têm nada a perder — pontua.

Mas apenas a parte ostensiva do trabalho com as operações e rondas não são suficientes para resolver o problema. Isso porque muitos autores detidos no trabalho da PM – as figurinhas carimbadas, como define o comandante – por vezes retornam às ruas pouco tempo após a prisão e se envolvem em novos crimes. Foi o caso inclusive do jovem preso por tráfico na Operação Saturação, que já responde em liberdade.

— Eu não diria que há um sentimento de frustração porque somos vocacionados, temos que fazer nosso trabalho, mas notamos que estamos gastando energia a mais que poderia estar sendo canalizada em outras situações. Em vez de ir prender outro bandido que está incomodando as pessoas estamos indo prender o mesmo que pegamos semana passada, mês passado — desabafa o comandante.

Sem mudança no panorama, Schmidt destaca que aumenta o risco de os cidadãos ficarem mais indignados com a reincidência dos criminosos e tentarem reagir, o que pode causar situações mais graves. Na avaliação de Schmidt, mudanças na legislação como o aumento de rigor nas punições aos chamados menores infratores, hoje sujeitos apenas às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e os mecanismos da lei que permitem que suspeitos respondam pelos crimes em liberdade são dois pontos que precisam ser revistos com urgência. Caso contrário, a carga deve ficar ainda maior:

— Muito, muito trabalho para as polícias, é isso que eu vejo (pela frente). Primeiro porque a bandidagem está se criando e segundo porque estamos diminuindo em termos de tamanho. Sou otimista e acho que em algum momento a sociedade organizada vai se erguer para dar um basta nisso e fazer as mudanças necessárias. Se isso não acontecer, vamos continuar trabalhando em dobro, triplo, secando gelo, secando gelo...

O CRIMES DOS ÚLTIMOS DIAS

Assalto a joalheria no shopping



Foto: Polícia Militar / Divulgação

Por volta das 11h30min desta sexta-feira, dois homens foram presos após roubar a Joalheria Sandra Duwe, dentro do Shopping Neumarkt, no Centro de Blumenau. De acordo com informações da Polícia Militar, eles teriam entrado armados no comércio, recolhido joias e produtos e fugido a pé pela Rua 7 de Setembro em direção à Rua Padre Jacobs, onde um terceiro suspeito estaria esperando em um automóvel Fox estaria para a fuga.

Uma viatura de apoio da PM estava perto da prefeitura no momento do chamado e rapidamente chegou à região do shopping, onde os suspeitos ainda fugiam. Um policial desceu da viatura até alcançar os autores do crime. Seguranças do centro comercial também ajudaram na perseguição. O terceiro suspeito teria fugido ao ver a movimentação da viatura e os outros dois foram detidos próximo à Catedral São Paulo Apóstolo, na Rua Padre Jacobs. O prejuízo não foi contabilizado e não houve nenhum disparo. Toda a ação, segundo a PM, teria levado menos de cinco minutos. O terceiro suspeito de envolvimento com o roubo ainda não foi localizado.

Sequestro-relâmpago na Fortaleza

Na manhã desta sexta-feira um homem armado invadiu uma empresa no bairro Fortaleza, em Blumenau. Segundo funcionários da empresa, localizada na Rua Francisco Vahldieck, após render um dos proprietários o assaltante o obrigou a dirigir um Audi TT branco sentido litoral na BR-470.

Segundo a mãe da vítima, o assaltante chegou ao local por volta das 8h, quando a loja estava vazia, e fugiu levando o carro de um cliente e o filho dela, de 27 anos, como refém:

— Meu filho entrou na sala para pegar as chaves do carro e por sorte eu não vi a arma com o assaltante porque eu teria pulado nele. Eu ia morrer — conta a mãe que ficou desesperada ao perceber o sequestro-relâmpago acionou a PM.

Por volta das 10h desta sexta-feira o filho dela foi localizado. Ele foi deixado às margens da BR-470, em Ilhota, e conseguiu uma carona com um caminhoneiro para retornar a Blumenau. De acordo com a Polícia Militar, o carro esportivo foi avistado na BR-101, mas até a noite ainda não havia sido localizado.

Segundo o comandante da PM de Blumenau, tenente-coronel Jeferson Schmidt, há suspeita de que o crime possa ter ligação com um roubo encomendado de veículo, por se tratar de um modelo de luxo. Para evitar situações como essa a recomendação do comandante é que moradores e comerciantes redobrem a atenção com entrada e saída de visitantes e clientes para dificultar eventuais ações de criminosos. (Colaborou Pamyle Brugnago)

Corpos carbonizados dentro de carro


Foto: Polícia Militar/Divulgação

Ainda na noite de quinta-feira, por volta das 20h50min, duas pessoas morreram carbonizadas na Rua Johann Findeiss, no bairro Testo Salto, em Blumenau. Segundo informações da Polícia Militar de Blumenau e do Corpo de Bombeiros de Pomerode, elas estariam em um automóvel Corsa que foi encontrado incendiado.

O veículo foi encontrado no acostamento. No interior dele estavam os corpos de Tatiane Almeida de Alcantara, 24 anos, e Gerson Oliveira da Silva, 27, identificados nesta sexta-feira no Instituto Médico Legal (IML). Informações iniciais da PM averiguam possível ligação do veículo incendiado com outras ocorrências na cidade. Apesar disso, a Polícia Civil ainda investiga as possíveis causas do acidente.

Morte na calçada


Foto: Patrick Rodrigues / Agência RBS

Na manhã de quinta-feira, o morador de rua Jorge William Galvão de Almeida, 22 anos, dormia em uma calçada ao lado do Grande Hotel Blumenau, na Rua XV de Novembro, no Centro, quando morreu carbonizado. Ainda na quinta, o delegado responsável pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil, Bruno Effori, afirmou ao Santa que a investigação teve acesso a imagens que mostrariam ao menos três pessoas se aproximando, derramando um líquido inflamável e ateando fogo ao corpo da vítima. Ainda segundo o delegado, eles teriam permanecido no local por alguns instantes observando a cena e caminhado em direção ao Centro.

Para fortalecer a investigação e averiguar outras possibilidades, a Polícia Civil pretende ouvir algum familiar da vítima e funcionários do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), que atende moradores de rua. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, que confirmou a identidade da vítima, Jorge era natural de Olho d’Água das Canhãs, no Maranhão, e tinha mais de 30 registros de atendimento no Centro Pop em Blumenau, todos a partir de maio. Ele seria usuário de drogas e, por conta disso, teria comportamento instável entre aceitar e recusar os serviços oferecidos.

Preso por tráfico é solto

Na terça-feira o efetivo do 10º Batalhão de Polícia Militar de Blumenau prendeu duas pessoas durante a Operação Saturação, feita na área Norte da cidade, que tem apresentado aumento do índice de criminalidade com roubos constantes. No total, além do efetivo da radiopatrulha, outros 45 policiais somaram esforços na ação.

Durante a operação, próximo ao loteamento América do Sol, na Itoupavazinha, um jovem de 19 anos foi preso por tráfico de drogas. Segundo a PM ele foi flagrado com 360 gramas de maconha e seis munições calibre 38., além da apreensão de dois capacetes, por terem sido reconhecidos pelas filmagens de estabelecimentos comerciais durante a prática de crimes de roubos recentes. No total, 153 veículos foram vistoriados, 76 pessoas abordadas, quatro veículos removidos, oito infrações de trânsito registradas e dois documentos de veículos apreendidos.

Nesta sexta-feira, porém, o comando da PM informou que o suspeito preso na terça já havia sido solto para responder em liberdade.


JORNAL DE SANTA CATARINA

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