Pelo menos três suspeitos teriam incendiado morador de rua em Blumenau - Segurança - O Sol Diário

Brutalidade16/09/2016 | 09h28

Pelo menos três suspeitos teriam incendiado morador de rua em Blumenau

Segundo a Polícia Civil, suspeita é que autores também sejam andarilhos

Pelo menos três suspeitos teriam incendiado morador de rua em Blumenau Patrick Rodrigues/Agencia RBS
À tarde, quase 12 horas depois do atentado, vestígios de fumaça e marcas do ataque ainda podiam ser vistos por quem passava pelo local Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Ao menos três homens teriam ateado fogo propositalmente em um morador de rua que morreu carbonizado na manhã de quinta-feira, no Centro de Blumenau. É o que apontam as primeiras informações da equipe de investigação da Polícia Civil. A vítima, Jorge William Galvão de Almeida, 22 anos, dormia em uma calçada ao lado do Grande Hotel Blumenau, na Rua XV de Novembro.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, que confirmou a identidade da vítima, Jorge era natural de Olho d'Água das Canhãs, no Maranhão, e tinha mais de 30 registros de atendimento em Blumenau, todos a partir de maio. Ele seria usuário de drogas e, por conta disso, teria comportamento instável entre aceitar e recusar os serviços oferecidos. Até o fim da tarde de quinta-feira a Secretaria ainda tentava contato com familiares no Estado natal dele.

O corpo foi encontrado por uma pessoa que passava pelo local por volta das 6h50min e acionou a Polícia Militar. Até poucas semanas atrás a entrada do hotel reunia dezenas de andarilhos, mas recentemente um tapume foi colocado no espaço. À tarde, quase 12 horas depois do crime, vestígios de fumaça e marcas da violência ainda podiam ser sentidos por quem passava pela calçada.

Suspeita é que autores também sejam andarilhos

Segundo o delegado responsável pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil, Bruno Effori, a investigação teve acesso a imagens que mostram ao menos três autores se aproximando, derramando um líquido inflamável e ateando fogo ao corpo da vítima. Eles teriam permanecido no local por alguns instantes observando a cena e caminhado em direção ao Centro. A suspeita, ainda não confirmada, é de que os suspeitos também sejam moradores de rua e que a motivação seria algum desentendimento.

Ainda segundo a polícia Jorge estava deitado quando teve o corpo incendiado. Ele teria chegado a levantar, mas não resistiu e morreu antes da chegada dos bombeiros. Até o momento não foi identificada nenhuma testemunha ocular, mas a Polícia Civil pretende ouvir algum familiar da vítima e funcionários do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), que atende moradores de rua, para apurar como era a relação da vítima com outros andarilhos e identificar os autores, que devem responder por homicídio qualificado.

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Este foi o 19º homicídio do ano em Blumenau segundo a DIC. Em dezembro do ano passado, outro morador de rua de 35 anos foi morto com uma pedrada enquanto dormia no bairro Victor Konder, em Blumenau. Segundo a Polícia Civil, os dois suspeitos do crime foram identificados e tiveram mandados de prisão preventiva expedidos, mas até o momento não foram localizados

Centro atende cerca de 160 pessoas sem-teto por mês

Atualmente a Secretaria de Desenvolvimento Social atende moradores de rua por meio do Centro Pop, que recebe cerca de 160 moradores de rua por mês com espaço para alimentação, higiene, trabalho social e terapêutico, e de um abrigo no bairro Salto Weissbach, por onde passam em média 40 pessoas por dia. A estimativa, porém, é que a cidade atualmente tenha perto de 200 moradores de rua,

já que muitos apenas passam pelo município e outros recusam o atendimento oferecido em abordagens de rua.

— O comprometimento com álcool e drogas ocorre em 95% dos casos e isso acaba dificultando a abordagem e a adaptação a espaços com regras, além de causar até divergências entre eles. Mesmo assim temos feito um trabalho bastante intensificado nos últimos meses — pontua a secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Morastoni Sasse, que destaca também a facilidade para conseguir esmola, colchão e recursos para se manter na rua como outro obstáculo para os serviços oferecidos.

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