Violência em protesto coloca em discussão relação entre policiais e manifestantes em Florianópolis - Segurança - O Sol Diário

Manifestações11/10/2016 | 16h51Atualizada em 11/10/2016 | 21h10

Violência em protesto coloca em discussão relação entre policiais e manifestantes em Florianópolis

Ato na noite de segunda-feira expôs relação conturbada

Violência em protesto coloca em discussão relação entre policiais e manifestantes em Florianópolis Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Policiais e manifestantes entraram em confronto Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

O confronto entre manifestantes e a Polícia Militar (PM) na noite de segunda-feira em Florianópolis expôs um enfrentamento que tornou-se rotineiro na Capital catarinense nos últimos dois meses. Desde 31 de agosto, policiais e grupos que protestam contra o governo Temer se enfrentaram em três oportunidades diferentes — e  em uma quarta, dois rapazes foram presos por atos de depredação.

Nos momentos de confronto, a PM usou de bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha para enfrentar as pedras que eram atiradas. No protesto da noite desta segunda-feira, por exemplo, diversas pessoas ficaram feridas, entre policiais e integrantes da manifestação. A confusão iniciou no momento em que o movimento tentou fechar os acessos às pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles. O nome do evento criado nas redes sociais para convocar os participantes, inclusive, era Ocupa Ponte.

Como forma de reação, a PM agiu com a cavalaria e as armas de efeito moral. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina (OAB-SC), Sandro Sell, afirma que tem notado um despreparo das forças policiais durante as manifestações. Para ele, é preciso ser levado em conta que havia, dentro do movimento, pessoas que causaram os atos de vandalismo, mas a PM precisaria isolar os envolvidos e identificá-los.

— É claro que os jovens também se passam, não temos dúvida. Mas do outro lado temos uma corporação altamente profissionalizada que precisa ter meios alternativos que não só gás e bala de borracha para lidar com as manifestações e separar o direito de manifestação do abuso — analisou Sell.

O advogado complementa que falta diálogo por parte da PM com os manifestantes.

— Está faltando diálogo entre os movimentos e a polícia no sentido de, ao final, não dizer quem venceu, mas de se conseguir manter a manifestação com o mínimo de violência.

Logo após o ato desta segunda, o comandante do 4º Batalhão da PM em Florianópolis, tenente-coronel Marcelo Pontes, alegou que a ação foi "baseada dentro da lei". A PM usa como justificativa a decisão judicial emitida em setembro que proibia o bloqueio dos acessos às pontes.

— A PM não foi comunicada do protesto. Busquei conversar com a liderança do movimento, mas nenhum deles se identificou como líder. Eles saíram em direção à ponte. Como a ponte é inegociável, agimos dentro do uso progressivo da força — argumentou Pontes.

Histórico de conflitos em dois meses

O primeiro dos protestos em que houve confronto entre manifestantes e a polícia foi no dia 31 de agosto. No ato chamado Fora, Temer, 3 mil pessoas se reuniram na região central e trancaram os acessos das pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles. Policiais militares usaram bombas de efeito moral, balas de borracha e gás de pimenta para dispersar o grupo. Nesse dia, uma igreja evangélica na Avenida Mauro Ramos também foi depredada.

No dia 2 de setembro, um dos atos mais violentos deixou rastros de depredação pelo centro da cidade. Houve confusão e policiais fizeram disparos de balas de borracha. Também utilizaram bombas e spray de pimenta.

Já no dia 6 de setembro, o ato foi totalmente pacífico. Os manifestantes caminharam pela Beira-Mar Norte. Um dos registros do evento foi as flores entregues pelos integrantes do protesto aos policiais, num ato simbólico. No entanto, ao final do movimento, dois rapazes foram presos por depredação.

Alternativa de repressão de tumultos

O uso de armas não-letais para conter manifestantes não é particularidade de Santa Catarina. Na Grécia, em maio, durante uma manifestação popular contra projeto que alterava regras da aposentadoria, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. Os jovens mascarados que participavam do ato teriam lançado coquetéis molotov durante o confronto.

No entanto, há alternativas que, inclusive, já existem no Brasil. Em março deste ano, em São Paulo, a mesma técnica foi usada para dispersar um ato anti PT. O caminhão jogou água sobre os manifestantes que estavam na Avenida Paulista. Foi a primeira vez que a técnica foi aplicada na cidade.

O mesmo veículo usado para os jatos d'água também arremessa uma mistura com tinta que colore as roupas dos manifestantes. Dessa forma fica mais fácil identificar os envolvidos em casos de violência. A principal funcionalidade desse equipamento é evitar o uso de gás lacrimogêneo e outras armas.

Em protesto ocorrido na Alemanha, em fevereiro de 2015, as forças de seguranças locais usaram caminhões de água para conter os manifestantes. Com os jatos, conseguiram impedir que o movimento avançasse depois de veículos terem sido depredados.

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