PM cerca comunidade após morte de turista gaúcha e comandante lamenta: "É  frustrante" - Segurança - O Sol Diário

Assassinato01/01/2017 | 16h00Atualizada em 04/01/2017 | 13h18

PM cerca comunidade após morte de turista gaúcha e comandante lamenta: "É  frustrante"

Sinval respondeu ao cunhado da vítima que questionou a ação dos policiais: "Temos que entrar no mínimo com capacidade de reação"

PM cerca comunidade após morte de turista gaúcha e comandante lamenta: "É  frustrante" Léo Cardoso / Agência RBS/Agência RBS
Abordagens na comunidade começaram na tarde deste domingo Foto: Léo Cardoso / Agência RBS / Agência RBS

A Polícia Militar (PM) montou neste domingo um cerco nas três entradas da comunidade da Papaquara, na Vargem Grande, no Norte da Ilha, em Florianópolis, após a morte de Daniela Scotto de Oliveira Soares, 38 anos, que entrou por engano no local depois de seguir um aplicativo do celular na madrugada deste domingo. A promessa do comandante do 21º Batalhão da PM, tenente-coronel Sinval Santos da Silveira Junior, é que os policiais vão permanecer lá até que os suspeitos sejam presos.

Em nota, a secretaria de Segurança Pública de SC afirma que "determinou o reforço da atuação policial na comunidade. A ação especial conta com reforços de equipes do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), além do efetivo do 21º Batalhão. Policiais permanecerão no local até que se tenham informações sobre o suspeito do assassinato".

Foram instaladas barreiras policiais que funcionarão 24 horas por dia na entrada e saída da localidade.

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Em entrevista ao DC no começo da tarde desde domingo, Sinval justificou a decisão dos policiais de não entrarem na comunidade logo após o crime, como reclamou o cunhado de Daniela. O comandante garante que no último mês a corporação fez operações diárias na comunidade, e afirma que se sente frustado com a morte da professora de ioga por conta da alta quantidade de ações feitas no local.

Leia abaixo a entrevista completa:

Qual sua avaliação sobre a morte da turista?
Não podia ser outra a não ser a percepção de que foi lamentável. Para a PM é frustrante. A gente vem de um mês de operação diárias no Papaquara. Em dezembro fazíamos três por dia e culminou com uma grande operação há pouco mais de 15 dias que envolveu 105 policiais militares e helicópteros. Temos dado uma atenção muito forte justamente pela área de conflito. Infelizmente, numa noite que estávamos com todo efetivo na rua, acontece fora do nosso controle. Lamentamos. Frustrante, essa é a palavra. Porque nossos esforços estão sendo muito fortes naquela região. Ficaremos lá até apaziguar a situação e até prendermos os autores desse crime bárbaro. Quando o conflito é entre marginais, a sociedade, muito embora não aceite, entende. Mas quando envolve cidadão do bem, fica a sensação de frustração.

O ponto onde ocorreu a morte é a rua mais complicada da comunidade?
São as ruas de acesso para a favelinha que fica lá atrás. Essa (onde ocorreu a morte) é uma das principais. Acredito realmente que o GPS pode ter induzido a pessoa a entrar. A princípio não seria nada grave andar ali. O que não se pode aceitar é essa ação dos marginais.

É comum ter pessoas andando armadas naquela região?
Não. Inclusive, há dois dias, prendemos o chefe do tráfico local com outros dois traficantes e de lá para cá tivemos um recrudescimento da atuação dos marginais. Reforçamos e fizemos as prisões justamente para limpar a área para as festas de final de ano. A gente lamenta, estou profundamente triste com a situação. Realmente dispendemos de um grande esforço naquele local.

Porque a comunidade é tão problemática?
Tráfico de drogas, que se aliou ao bolsão de pobreza numa área de vulnerabilidade social. Aliou uma coisa a outra. E a gente faz de tudo para controlar, mas realmente o tráfico lá é muito forte.

O cunhado da vítima fala que os policiais se recusaram a ir até o local após o crime. Isso ocorreu?
Ele está emocionado. A gente não pode abrir mão do nosso procedimento padrão, que é o de preservar a segurança também dos policiais. O relato era que várias pessoas estavam com arma. Como vou colocar dois policiais em uma região dessas? Tem que entrar no mínimo com capacidade de reação. Foi uma noite de Réveillon, todo efetivo estava empenhado em ocorrências, o que fez com que nossa guarnição tivesse que esperar reforço. Depois eles entraram no local. Como era de se esperar, os marginais tinham fugido. Não se pode sair à noite procurando em residências. Agora a favela está cercada nas três entradas. Vamos manter assim até esse caso ser resolvido.

O cunhado diz que havia mais viaturas na UPA. O procedimento nesses casos é só entrar com o Bope?
Temos nosso PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático), que é a guarnição mais reforçada para fazer esse serviço sozinha, mas elas estava atendendo ocorrência também. Não conseguimos disponibilizar, mas a demora não foi tão grande. A pessoa nos pediu que os policiais entrassem sozinhos. Naquele momento (na UPA), estava a viatura do oficial, mas precisava de equipe tática, com treinamento de incursão.

Foto: Leandro Maciel / RBS


el / RBS


 

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