Presos são transferidos de cadeias em Santa Catarina como prevenção - Segurança - O Sol Diário

Guerra de facções10/01/2017 | 20h47Atualizada em 10/01/2017 | 20h47

Presos são transferidos de cadeias em Santa Catarina como prevenção

Medida é adotada como segurança para evitar riscos de confrontos diante da onda de violência em prisões de Manaus e Roraima.

Presos são transferidos de cadeias em Santa Catarina como prevenção Betina Humeres/Agencia RBS
Penitenciária de Florianópolis, na Agronômica, em área residencial, é uma das preocupações. Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Para evitar confrontos nas prisões diante do contexto nacional de assassinatos entre presos que envolve facções criminosas, as autoridades do sistema prisional de Santa Catarina realizaram transferências internas de presos nos últimos dias. A medida de prevenção faz parte do cenário desde o início do ano de alerta máximo nas unidades prisionais divulgado pelo governo do Estado.

O Diário Catarinense apurou com fontes do alto escalão do governo, policiais e servidores de presídios, que a iniciativa foi adotada em sigilo pelo Departamento de Administração Prisional (Deap) e envolveu remoções do complexo prisional da Agronômica, em Florianópolis, e da Penitenciária Sul, em Criciúma, Sul do Estado. Ao menos oito detentos figuravam na lista de transferências entre as duas prisões até o domingo.

Indagado na tarde desta terça-feira pela reportagem, o secretário-adjunto da Justiça e Cidadania, Leandro Lima, disse que não iria confirmar a informação, mas que também não iria negar. Ele apontou a questão da segurança como motivo.

— O nível continua de atenção em todo o Estado, não estamos imunes, mas aqui implantamos políticas públicas — disse o secretário, acreditando que o Estado adotou ações diferenciadas de gestão, humanas e de inteligência nos últimos anos para lidar com situações críticas.

A preocupação maior atinge mais uma vez a Penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, antigo "QG" (Quartel General) da facção Primeiro Grupo Catarinense, onde estão mais de mil presos. Na semana passada, o preso Sebastião Carvalho Walter, um dos criadores do PGC, foi atacado por outro detento e acabou falecendo no hospital.

Penitenciária Sul, em Criciúma: local em que teria havido remoções de detentos. Foto: Maurício Vieira / Agencia RBS

O preso Gabriel Rodrigues Pereira, o Camelo, assumiu o crime e seria um dos transferidos para outra unidade. A reportagem apurou que o Deap tentou vaga em presídio federal para Camelo, mas sem sucesso. Tanto Welter quanto Camelo já haviam passado por prisão federal pela alta periculosidade. Para o professor em direito penal e especialista em criminologia, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, as transferências de lideranças são acertadas, embora no passado já tenha gerado revolta entre presos.

— SC já vem separando os presos por grupos criminosos, o que é salutar para evitar as rixas. Mas é preciso outras medidas, como minimizar a entrada de novos detentos sem condenação e sem periculosidade nesse momento —  pensa Alceu.

Servidores do sistema carcerário ouvidos pela reportagem, que preferem não se identificar, afirmaram que o quadro é preocupante diante da presença de faccionados, principalmente na Penitenciária de Florianópolis. Com 86 anos, a cadeia fica em área residencial do bairro Agronômica e há denúncias que conta com pouco efetivo de agentes penitenciários.

De acordo com Alceu Pinto, as prisões de São Pedro de Alcântara, Florianópolis, Itajaí, Blumenau e Criciúma são as mais complicadas e exigem atuação maior do poder público diante da guerra instalada por facções pelo país. O PGC tem alianças com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, e a Família do Norte, e trava embate dentro e fora dos presídios com o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. O motivo é a disputa pelo controle do tráfico de drogas.

Penitenciária de São Pedro de Alcântara: antigo quartel-general da facção PGC. Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

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