Prisão de tenente expõe conflito entre polícias Civil e Militar em SC - Segurança - O Sol Diário

Segurança15/02/2017 | 12h36Atualizada em 15/02/2017 | 18h27

Prisão de tenente expõe conflito entre polícias Civil e Militar em SC

 Relação entre as duas corporações é conturbada há anos no Estado

Prisão de tenente expõe conflito entre polícias Civil e Militar em SC Leo Munhoz/Agencia RBS
Paulo Renato Farias foi preso nesta terça-feira na Deic, em Florianópolis Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O desentendimento entre a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) e a Polícia Militar (PM) por causa da ação em São João Batista no último sábado está longe de ser um caso isolado. Os conflitos entre a Polícia Civil e a PM são comuns em Santa Catarina. Nesta terça-feira, a Deic prendeu o tenente Paulo Renato Farias, comandante em São João Batista, depois que ele foi até a diretoria para tentar participar da coletiva de imprensa que apresentaria o resultado da operação que prendeu dois suspeitos, deixou três mortos e três feridos, entre eles um delegado e um agente.

Horas depois, entidades que representam policiais militares e civis emitiram notas apoiando seus servidores e fortalecendo a discussão. De um lado, a Deic justifica que não avisou a PM sobre a ação de sábado para evitar o vazamento de informações, já que os suspeitos poderiam copiar a frequência de rádio policial. Em reação, os militares dizem ter corrido riscos durante a troca de tiros por desconhecerem o trabalho dos policiais.

Os comandos da Deic e da PM endossaram os discursos e mantiveram posição, cada um defendendo seu ponto de vista. Em algumas regiões do Estado, os embates entre PM e Polícia Civil ficam mais acalorados conforme o perfil de cada comandante ou delegado. No Vale do Itajaí, até 2014, as duas corporações costumeiramente discutiam publicamente. 

Em 2012, em Rio dos Cedros, por exemplo, mesmo com forte presença policial na região, bandidos conseguiram explodir uma agência do Banco do Brasil e fugiram da caçada depois que os policiais não se conversaram como deviam e deixaram de agir juntos. Naquele dia, havia equipes da Deic e da PM perto da agência.

Caso de São João Batista pode prejudicar relação na região

Em Balneário Camboriú, onde fica a unidade da PM que atende São João Batista, há preocupação de que o caso de sábado prejudique também a delicada relação entre policiais civis e militares na região do 12º Batalhão. O delegado regional David Tarcísio Queiroz de Souza, que assumiu o cargo em dezembro, diz ter encontrado uma relação muito boa entre as duas corporações. O clima, entretanto, nem sempre foi pacífico.

A situação ficou mais tensa a partir de 2013, quando a PM invadiu uma festa de confraternização entre agentes da Polícia Civil e um policial militar atirou contra um investigador. Na época, a PM alegou ter recebido uma denúncia de que havia pessoas armadas na festa. As versões foram conflituosas e causaram mal estar nas duas corporações.

Uma nova saia-justa ocorreu em abril do ano passado, quando a Polícia Militar montou uma operação de busca pelo menino Ícaro Alexandre Pereira, desaparecido desde fevereiro de 2016, e não comunicou a Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil (DIC), responsável por apurar o caso.

O atual comandante regional da PM, Cláudio Koglin, diz que a relação hoje é boa e que há apenas "problemas pontuais". Segundo ele, as duas corporações estão unidas para traçarem juntas novas estratégias de segurança para a cidade.

O delegado regional da Polícia Civil teme um retrocesso:

— Receio que esse caso de São João Batista abale isso que em Balneário vem sendo traçado a duras penas.

No Estado, um dos marcos do conflito foi em 2011, quando a PM passou a fazer termos circunstanciados nas ocorrências. Delegados e agentes questionaram a competência dos militares para assumir tal função, o que antes era feito apenas pela Polícia Civil.

Colaborou Dagmara Spautz

 

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