O crack e a omissão na região Central de Florianópolis  - Segurança - O Sol Diário

Opinião16/05/2017 | 10h57Atualizada em 16/05/2017 | 10h57

O crack e a omissão na região Central de Florianópolis 

 O ciclo devastador do consumo, a consequente criminalidade no entorno das casas dos Poderes e o assunto renegado ao segundo plano beiram ao absurdo

A degradação humana, o ciclo da criminalidade e a omissão das autoridades com os usuários de crack e as cracolândias são sinônimos de omissão na região central de Florianópolis.

Desde 2009, quando o assunto ganhou dimensão estadual na campanha Crack Nem Pensar, do Grupo RBS, a realidade pouco mudou. Houve mobilização na época, promessa de políticas públicas, criação de conselhos, abertura de novas vagas para tratamento, mas passado um tempo a realidade ficou ainda mais dramática.

O que assusta é que o problema segue de forma mais intensa sendo percebido nas barbas dos Poderes, nos arredores do Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa e Fórum. Ali pertinho da Avenida Gustavo Richard, tudo ainda fica registrado nas câmeras do túnel Antonieta de Barros, conforme mostrou reportagem do Diário Catarinense no fim de semana.

Para sustentar o vício, usuários cometem furtos e roubos no Centro, amedrontando pedestres e motoristas em semáforos. Também foram erguidas barraquinhas, onde tudo é permitido. Nas audiências de custódia, diariamente a Justiça se depara com casos de reincidência e onde os interrogados sequer sabem o dia da semana. Afastados de vínculos familiares, os dependentes não conseguem vislumbrar qualquer saída.

Claro que muitos também não desejam a recuperação e isso tem despertado cada vez mais a discussão entre especialistas sobre a internação compulsória. Há pelas ruas os chamados "noias", que já nem raciocinam mais, e esses sem dúvida deveriam ser os primeiros a receber a atenção do poder público.

É preciso cobrar responsabilidades, levantamentos, buscas de famílias, ver onde elas estão, ter um centro de apoio, uma unidade de saúde específica que não os deixe abandonados nas vias nem amontoados em presídios. Não adianta, por exemplo, jogá-los em celas e deixar soltos os donos dos pontos de drogas que fornecem os entorpecentes.

A secretaria municipal de Assistência Social prometeu para esta quarta-feira um novo plano de ação. O que se espera é que não seja uma ação isolada e se tenha a tão esperada força integrada entre a promotoria, o Judiciário e as autoridades da saúde.

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