Policiais militares e guardas municipais discutem durante ocorrência em Balneário Camboriú - Segurança - O Sol Diário

Crise na segurança05/06/2017 | 19h20

Policiais militares e guardas municipais discutem durante ocorrência em Balneário Camboriú

Enquanto isso, suspeitos presos aguardavam dentro de viatura

Um vídeo divulgado nesta segunda-feira através das redes sociais reforça a crise institucional entre as forças de segurança em Balneário Camboriú. As imagens mostram uma discussão entre policiais militares e guardas municipais durante o atendimento de uma ocorrência, na madrugada de domingo.

O bate-boca sobre a quem pertenceu o flagrante aconteceu no meio da rua, enquanto os suspeitos de terem cometido uma série de assaltos na cidade aguardavam dentro da viatura serem levados para a delegacia.

O impasse começou porque a ocorrência envolveu um acidente com o carro dos suspeitos, na Quinta Avenida. Em nota oficial, a PM alega que os assaltantes fugiram, os policiais foram atrás deles, os prenderam, e quando retornaram ao local a Guarda Municipal havia mandado guinchar o veículo _ que, no entendimento da PM, deveria ficar no local para passar por perícia.

A guarda, por sua vez, relatou que ao chegar ao local do acidente verificou que o carro era roubado e seguiu em busca dos suspeitos. Foi quando encontrou a PM, que já havia feito a prisão.

Sobrou para a Polícia Civil acalmar os ânimos: o atendimento do acidente foi creditado à Guarda Municipal, e a prisão dos suspeitos à Polícia Militar.

Na nota oficial, a PM afirma entender que, com a chegada da polícia, caberia à guarda apenas o apoio no atendimento da ocorrência. Mas ameniza o impasse ao dizer que se trata de um ¿caso isolado¿.

A situação também é tratada como pontual pela Secretaria de Segurança de Balneário Camboriú. Nos bastidores, entretanto, a convivência tem sido difícil.

A tensão entre a PM e a guarda não é recente, e desde o ano passado começaram a ser mais frequentes as notícias de discussões de competência no atendimento de ocorrências.

A situação, que já era tensa, agravou depois que guardas municipais integraram a operação da Polícia Civil que prendeu seis PMs, há cerca de 10 dias. A competência da guarda para participar desse tipo de operação foi questionada pela Polícia Militar.

Até o final

Gabriel Castanheira, secretário de Segurança de Balneário Camboriú, nega que haja crise na segurança. Diz que os comandos da PM e da guarda se entendem e estão buscando meios de evitar que essa situação se repita. Quanto ao entendimento dos policiais sobre a prioridade no atendimento de ocorrências, no entanto, é taxativo:

_ Se chegarmos antes, vamos tocar até o final, independente da ocorrência. 

ENTREVISTA: Cláudio Koglin

¿Poderíamos evitar esse vexame¿

O comandante da 3ª Região da PM, coronel Claudio Koglin, determinou instauração de sindicância para apurar a conduta dos policiais militares e se dispôs a ouvir ¿quantos guardas a GM indicar¿. Ele deve propor a criação de um protocolo de atendimento de ocorrências para evitar novas discussões na rua, que classifica como ¿vexame¿.

Em que momento ocorreu o distanciamento entre PM e GM?

Não existe um distanciamento institucional, parece algo de ordem pessoal de alguns policiais militares e alguns guardas e que reflete na instituição. Quando a GM foi formada eu era comandante do Batalhão. Vislumbrávamos para o futuro uma parceria mesmo, que não fossem concorrentes. Isso perdurou no primeiro ano, depois começou um distanciamento natural, e de lá para cá tivemos uma série de situações pontuais, ora protagonizadas pela Guarda, ora pela PM, que distanciou cada vez mais. Queremos reconstruir essa proximidade, participar de um projeto comum de segurança pública.

Esse projeto é a força-tarefa, com a Polícia Civil?
Não fazemos mais parte desse grupo da força-tarefa, isso fugiu da minha esfera. O que estamos querendo construir é um atendimento integrado entre 153 e 190, criarmos protocolos de atendimento. Isso nós vamos construir junto com o Castanheira (secretário de Segurança). Talvez tenhamos tratado de questões muito sensíveis, colocando a PM e a GM para investigar (na força-tarefa). Se tivéssemos começado assim, devagar, evitaríamos esse vexame, esse espetáculo.

Falta clareza na lei que institui as guardas municipais?
É falta de clareza, e acima de tudo um modelo ultrapassado de segurança pública que temos no Brasil. Já tínhamos duas meias polícias. Criaram mais uma, denominaram de guarda, e os políticos venderam uma ideia de que ela é o que não é. Uma guarda que não tem todo o poder que poderia ter, trabalhando e buscando o seu espaço. Atribuam o poder completo para todos, assim todas as três poderem investigar, fazer policiamento ostensivo. Os competentes que se estabeleçam. 

 

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